O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Sebastião Bugalho: “Marta Temido já admitiu que votará a favor da inclusão do direito à habitação na Carta dos Direitos Fundamentais da UE”

União Europeia
O que está em causa?
Numa entrevista, publicada hoje, ao programa "Hora da Verdade", da Renascença e do jornal "Público", o cabeça de lista da Aliança Democrática (AD) às europeias de junho disse que a sua principal adversária, Marta Temido, já admitiu que votará a favor da inclusão do direito à habitação na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. É verdade?
© Carlos M. Almeida/Lusa

Numa entrevista em que garantiu que sairia de uma sala onde alguém fizesse “discriminação étnica”, como aconteceu no Parlamento português, Sebastião Bugalho disse também que a AD tem as mesmas linhas vermelhas que Ursula von der Leyen no Parlamento Europeu (PE), pelo que deverá rejeitar “partidos que não sejam europeístas, que não cumpram com os regras do Estado de Direito e que não apoiem a Ucrânia”. Mesmo, disse, “quando o PPE vai mais à direita ou tem posições mais ortodoxas, nomeadamente em relação às taxas de juros ou nas questões do Pacto de Asilo e Migrações, o PSD e o CDS não abdicaram de ter a sua própria posição”.

Sobre ser meramente “simbólica” a intenção da AD de incluir o direito à habitação na Carta dos Direitos Fundamentais da UE, Bugalho lembrou que até “Marta Temido anunciou que votará a favor dessa resolução se for apresentada no PE” e que, por isso, “já há um consenso de que deve ser consagrada e alargada”. É verdade?

Sim. E aconteceu num dos debates de preparação para as legislativas. A 21 de maio, em debate na RTP, a cabeça de lista do PS referiu que  “a principal prioridade é a dos assuntos sociais e, dentro dos assuntos sociais, dois temas muito concretos: habitação e jovens“. E explicou desde logo a importância conferida à habitação: “Porque tudo aquilo que nós estamos a ouvir dizer sobre habitação são declarações de intenções e nós entendemos, como já vínhamos entendendo, que a habitação é um problema europeu, não é um problema dos países. E como tal tem que haver um instrumento específico que nós prevemos que é uma solução de investimento permanente para apoiar as políticas da habitação, para a habitação pública.”

Neste momento do debate foi interpelada por Sebastião Bugalho, que lhe perguntou diretamente: “Então vai votar a favor da habitação como direito fundamental?”

Referia-se ao compromisso eleitoral da AD de pugnar no sentido de que a habitação seja universalizada na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. Ao que temido respondeu da seguinte forma: “Claro que sim, vocês é que não votaram. Olhe aqui, proposta de resolução, relatório sobre acesso à habitação digna e acessível para todos, eurodeputados da AD votaram contra.” Esta última afirmação comprovou-se falsa, mas a primeira – “claro que sim” – confirma a declaração de Bugalho.

_______________________________

UE

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “EUROPA”. O projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.

_______________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque