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Sebastião Bugalho: Há três meses, Pedro Nuno Santos disse que incluir direito à IVG na Constituição não estava “em cima da mesa”

União Europeia
O que está em causa?
Sebastião Bugalho ainda não conseguiu explicar suficientemente bem o porquê de afastar a possibilidade de incluir o aborto nas Carta dos Direitos Fundamentais, mas garante que não é por isso que devem classificá-lo como anti-aborto. Afinal, até Pedro Nuno Santos disse que consagrar o direito à IVG na Constituição Portuguesa não estava "em cima da mesa". É verdade?
© Tiago Petinga/Lusa

Em entrevista à edição desta semana do jornal “Expresso”, o cabeça de lista da Aliança Democrática (AD) às eleições europeias defendeu-se das recentes acusações de incoerência, por dizer que incluir o aborto na Carta dos Direitos Fundamentais é um conflito técnico-jurídico mas a habitação não: “O que disse foi que pretendemos abrir um horizonte legal para termos mais espaço para discutir e implementar políticas, porque se os europeus olham para a Europa com expectativa de que ela contribua para resolver a crise da habitação, nós acreditamos que a Europa também tem de dar respostas. Temos de as discutir num horizonte legal mais amplo, por isso queremos consagrar a habitação como direito fundamental.”

Mais eficaz ainda, Sebastião Bugalho socorreu-se em declarações do líder socialista, Pedro Nuno Santos, ditas precisamente no seu podcast “Os Protagonistas”: “Queremos ter uma discussão séria e construtiva sobre a habitação e, se a incluirmos como direito universal e fundamental na Carta, ganhamos margem para uma discussão que até agora não foi possível. Mas Pedro Nuno Santos, que foi candidato a Primeiro-Ministro há três meses, quando lhe perguntaram se era a favor de incluir o direito à IVG na Constituição da República, disse ‘isso não está em cima da mesa’. E tenho a certeza de que ele não é menos a favor da IVG por isso.”

O autor da pergunta foi mesmo Sebastião Bugalho, que à data questionou Pedro Nuno sobre se a inclusão do direito ao aborto na Constituição não poderia ser uma forma de garantir que não haveria nenhum recuo no futuro. “Acho que há coisas para fazer em matéria da saúde sexual e reprodutiva da mulher. Nós avançámos muito em Portugal. O que não podemos fazer é recuar. O PS não consegue fazer uma revisão constitucional sozinho”, disse o socialista. Mas mesmo se pudesse, dificilmente faria: “Isso não está em cima da mesa neste momento.”

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Avaliação do Polígrafo:

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