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Sebastião Bugalho disse em outubro do ano passado que Paulo Portas era o único político “capaz de disputar” as eleições europeias?

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O que está em causa?
O cabeça-de-lista pela AD às eleições europeias de 9 de junho não escapa ao escrutínio das redes sociais. É que, enquanto comentador, Sebastião Bugalho terá ditado o seu futuro: uma derrota flagrante ou honrada. Cantar vitória só com Paulo Portas.

O jornalista e comentador da SIC Notícias Sebastião Bugalho foi ontem anunciado cabeça-de-lista pela Aliança Democrática nas próximas eleições europeias de 9 de junho. Bugalho, de 28 anos, tem ligações ao CDS-PP e até já concorreu em 2019 como independente nas listas de candidatos a deputados do partido. A líder era Assunção Cristas.

Durante esta segunda-feira as expectativas eram de que Rui Moreira encabeçasse a lista da coligação que volta a juntar PSD, CDS-PP e PPM, mas Bugalho fez parte do plano dos sociais-democratas para “surpreender“, como diria mais tarde Hugo Soares, presidente do grupo parlamentar do PSD.

Na rede social X, o “polémico” candidato a um lugar no Parlamento Europeu já começou a ser escrutinado. Há quem lembre que, enquanto comentador, disse que Paulo Portas era o único político “capaz de disputar” as eleições europeias. É verdade?

Sim. Era outubro de 2023 e Luís Montenegro, líder do PSD, acabara de apelidar o Orçamento do Estado para 2024 de “pipi”, “betinho” e “bem arranjadinho”. Sebastião Bugalho falava num “problema de dicionário” que o agora Primeiro-Ministro teria que resolver. Longe das eleições legislativas – ainda mais das europeias -, o comentador era desafiado a apontar um “cabeça de cartaz” para Bruxelas: o único que permitia a Luís Montenegro “sobreviver”. Bugalho afirmou: “Este talvez seja um ‘primeiro estranha-se, depois entranha-se’, mas eu só vejo um nome capaz de disputar aquela eleição pelo espaço da direita democrática. E é Paulo Portas.”

A razão, que disse ser “simples”, veio a relevar-se afinal bastante complexa. Sobretudo para o próprio candidato: “As europeias são uma eleição de temas internacionais. Paulo Portas foi vice-Primeiro Ministro de Pedro Passos Coelho; tem evidentemente uma visão sobre a Europa; já foi militante do PSD e dava-lhe jeito ter uma pré-plataforma junto da direita democrática para as suas intenções presidenciais; e é tremendamente popular. Tudo o resto parece-me ser uma escolha entre a derrota flagrante e a derrota honrada.”

Nesses casos, adivinhava, “também há outras opções, mas eu não quero ser antipático e dizer quem podia ser o protagonista”.

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Avaliação do Polígrafo:

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