O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Sebastião Bugalho acusa PS de incoerência: “Alexandra Leitão disse em março que o PS jamais viabilizaria um Orçamento da AD, nem sequer com abstenção”

Política
O que está em causa?
Ontem à noite, na Grande Entrevista da RTP 3, o eurodeputado da AD (que perdeu as eleições europeias para o PS) apelou aos socialistas para que não promovam a instabilidade no país. Aquele que parece ser um objetivo partilhado com Alexandra Leitão acabou por servir de ataque ao principal partido da oposição: segundo Sebastião Bugalho, a líder parlamentar do PS mudou de opinião quanto à possibilidade de aprovar o Orçamento do Estado da AD. Se antes "nem pela abstenção", agora chega uma "palavra significativa".

“Eu gostava muito de acreditar no Partido Socialista quando ele tem uma posição. Mas como ele tem uma posição diferente sobre tudo regularmente, é difícil acompanhar”. Sebastião Bugalho falava, ontem à noite na Grande Entrevista à RTP3, de Alexandra Leitão, que, segundo o eurodeputado, “na primeira semana a seguir às eleições de 10 de março” disse que o partido “jamais viabilizaria um Orçamento da AD, nem sequer com abstenção“.

A frase da líder parlamentar dos socialistas, “dita em ON ao ‘Expresso'”, é diferente da posição que agora manifesta: “Recentemente, [Alexandra Leitão] já veio falar sobre a possibilidade de viabilizar o OE25”. Confirma-se a incoerência?

Sim. Na edição de 15 de março do semanário “Expresso“, cinco dias depois das eleições legislativas que levaram os social-democratas ao poder, Alexandra Leitão, que mais tarde viria a ser líder parlamentar do PS, dizia o seguinte, depois do anúncio de uma moção de rejeição ao Governo por parte dos comunistas: “Moção de rejeição, não vamos votar a favor. Mas Orçamentos também não viabilizamos, nem pela abstenção. Nós somos líderes da oposição. Não nos peçam para abdicar desse papel, porque essa corresponsabilização seria deixar a oposição exclusivamente para o Chega.”

Quatro meses depois, em declarações aos jornalistas no distrito de Castelo Branco, durante as jornadas parlamentares do PS, Leitão dava mais importância à estabilidade do que à teimosia: PS “não vai prescindir” de ter “uma palavra significativa a dizer nas políticas que o Orçamento consagra, se for para o viabilizar“.

“Se a negociação vier totalmente fechada, a margem negocial vier fechada por medidas com as quais discordamos, como é o caso do IRC ou como é o caso do IRS dito jovem, isso torna-se mais difícil, mas cá estaremos para ver”, alertou a socialista, que agora admite não representar um “fator de instabilidade”. O objetivo, disse na mesma ocasião, é “trabalhar e negociar”. A palavra final é “viabilizar”.

____________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque