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“Se fosse Primeiro-Ministro oferecia-me para receber metade dos imigrantes de Ceuta”, disse José Luís Carneiro?

Política
O que está em causa?
"Na nossa Vila Real de Santo António, em solidariedade com o meu amigo Pedro Sánchez", terá afirmado o secretário-geral do PS, de acordo com uma suposta citação - partilhada nas redes sociais - que lhe é atribuída. Verdadeira ou falsa?
© Agência Lusa

Terá o líder do PS defendido que Portugal deveria receber os migrantes que entraram nas últimas semanas em Ceuta, semi-exclave espanhol no Norte de África? Ou, mais especificamente, que deveria acolher metade desses migrantes em Vila Real de Santo António? Nas redes sociais diz-se que sim, motivando controvérsia, insultos e até acusações de traição à pátria.

“E metias todos na tua casa ou então desaparece e vai para Ceuta, traidor”, comenta-se, por exemplo, numa publicação de 4 de setembro no Facebook, em reação à pretensa citação atribuída a José Luís Carneiro, deputado e secretário-geral do PS.

Citação que está a ser partilhada em destaque sobre uma imagem do próprio Carneiro, sob o logótipo do jornal “Sol”, com a seguinte formulação: “Se fosse Primeiro-Ministro oferecia-me para receber metade dos imigrantes de Ceuta na nossa Vila Real de Santo António, em solidariedade com o meu amigo Pedro Sánchez.”

O problema é que não há registo de que Carneiro tenha alguma vez proferido tal declaração. Acresce que a imagem de fundo foi realmente divulgada pelo jornal “Sol”, mas com outra citação de Carneiro (essa sim, verdadeira) em destaque: “Ajudei a libertar jovens portugueses e lusodescendentes das cadeias venezuelanas.”

Fazia parte de uma entrevista que o líder do PS concedeu ao jornal “Sol”, publicada na edição de 24 de agosto de 2026. Nessa entrevista, Carneiro não declarou que Portugal deveria acolher “metade dos imigrantes de Ceuta na nossa Vila Real de Santo António”, nem defendeu nada de remotamente parecido.

Em reação à crise migratória ocorrida em Ceuta, logo no final de julho, o PS manifestou “solidariedade” para com Espanha, alertando que a situação “coloca em causa a segurança” do país, e defendeu uma “resposta política firme, coordenada internacionalmente” e respeitadora dos direitos humanos.

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