"É hoje o oitavo país com maiores dificuldades depois da redistribuição dos rendimentos, apesar de uma carga fiscal ponderada pelo PIB per capita em PPC (é o sétimo país da União Europeia em termos de esforço fiscal, 15% acima da média europeia)", lê-se no mesmo texto, em publicação datada de 23 de setembro, no Facebook.

"Isto significa que Portugal seja de novo ultrapassado em termos de criação de riqueza, de novo em PIB per capita em PPC, e se aproxime inexoravelmente da cauda da Europa. (...) O contributo dos primeiros meses do ano (crescimento adquirido), depois do agravamento observado em 2021, é determinante para a boa expressão da economia este ano. Mas a tendência de fundo prevalece para 2023, sobretudo tendo em conta as condicionantes em termos de emprego, financiamento num contexto internacional sob tensão", acrescenta-se.

De acordo com os últimos dados do Eurostat, serviço de estatística da União Europeia, no que concerne ao número de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social, o facto é que a situação em Portugal agravou-se entre os anos de 2020 e 2021, tendo passado de 20% para 22,4% da população em risco de pobreza ou exclusão social e da 13.ª para a 8.ª posição na tabela referente a esse indicador com dados de todos os 27 Estados-membros da União Europeia.

Confirma-se também que "Portugal foi no ano passado o país europeu com maior aumento em termos de pobreza relativa", tal como se alega na publicação em causa, na medida em que se registou um aumento de 2,4 pontos percentuais. Consultando os dados do Eurostat verificamos que nenhum outro país registou tamanho aumento entre 2020 e 2021, embora a Eslováquia (13,8% para 15,6%, mais 1,8 pontos percentuais) e o Luxemburgo (19,9% para 21,1%, mais 1,2 pontos percentuais) também apresentem subidas consideráveis da percentagem da população em risco de pobreza ou exclusão social.

Ora, 22,4% da população portuguesa em risco de pobreza ou exclusão social equivale a cerca de 2,3 milhões de pessoas. Os parâmetros estatísticos classificam como estando em risco de pobreza (não englobando aqui o risco de exclusão social) todos os que vivem com menos de 554 euros líquidos por mês e, nessa situação, contabilizou-se um total de 1,9 milhões de pessoas em Portugal, no ano de 2021.

Pelo que classificamos as principais alegações do post como verdadeiras.

Pandemia em 2020 foi momento de inversão

Após vários anos sucessivos de redução dos índices de risco de pobreza, no ano de 2020, marcado pelo início da pandemia de Covid-19, verificou-se uma inversão dessa tendência, entretanto prolongada e acentuada em 2021.

No último boletim sobre "Rendimento e Condições de Vida" do INE, publicado em dezembro de 2021 (pode consultar aqui), informa-se que "o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, realizado em 2021 sobre rendimentos do ano anterior, indica que 18,4% das pessoas estavam em risco de pobreza em 2020, mais 2,2 pontos percentuais (p.p.) do que em 2019. A taxa de risco de pobreza correspondia, em 2020, à proporção de habitantes com rendimentos monetários líquidos (por adulto equivalente) inferiores a 6.653 euros (554 euros por mês)".

"O crescimento do risco de pobreza foi mais severo no caso das mulheres (mais 2,5 p.p., de 16,7% em 2019 para 19,2% em 2020), em particular no caso das mulheres idosas (mais 3,0 p.p., de 19,5% para 22,5%)", realçou o INE.

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