O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Santos Silva na SICN: “Antes de eu ser candidato, só por uma vez o PS tinha conseguido eleger um deputado por Fora da Europa”

Política
O que está em causa?
Na entrevista à SIC Notícias de ontem à noite, poucas horas após saber que não tinha sido reeleito deputado, o ainda Presidente da Assembleia da República assumiu que "é uma derrota política e pessoal", mas não deixou de ressalvar que "o círculo de Fora da Europa é um círculo particularmente difícil para o PS", onde "só por uma vez tinha conseguido eleger um deputado" antes de 2019.

Tinha sido eleito deputado à Assembleia da República pelo círculo de Fora da Europa em 2019 e 2022, nas listas do PS, mas em 2024 caiu para a terceira posição nesse círculo, atrás da AD e do Chega que conquistaram assim os dois  mandatos em disputa. Os resultados tinha sido conhecidos poucas horas antes da entrevista que Augusto Santos Silva concedeu ontem à noite (20 de março) à SIC Notícias e, nessa primeira reação pública, o ainda Presidente da Assembleia da República assumiu que “é uma derrota política e pessoal“.

Questionado sobre se o facto de ser a primeira vez na História da democracia portuguesa que um Presidente da Assembleia da República não consegue ser reeleito como deputado “representa um fracasso ou uma desonra“, Santos Silva respondeu que “não”, pois “em democracia nós ganhamos e nós perdemos”.

Relativamente aos “motivos” dessa derrota, sublinhou que “o círculo de Fora da Europa é um círculo particularmente difícil para o PS. No qual o PS decidiu investir muito. Só uma vez, antes de eu ser candidato, só por uma vez o PS tinha conseguido eleger um deputado por Fora da Europa”.

“Em 2019, nós decidimos fazer uma aposta muito forte nesse círculo, candidatando o então ministro dos Negócios Estrangeiros, eu próprio, como responsável máximo pela política das comunidades. Sujeitei-me ao escrutínio daqueles a quem essas políticas se dirigem. Que me deram a confiança, elegeram-me deputado, renovaram essa confiança em 2022 e agora não renovaram. Portanto, faz parte do jogo democrático”, afirmou Santos Silva.

Tem razão ao dizer que “só por uma vez o PS tinha conseguido eleger um deputado por Fora da Europa”?

Sim. Antes da eleição do próprio Santos Silva como cabeça-de-lista do PS no círculo de Fora da Europa em 2019 e 2022, o PS só tinha conseguido eleger um deputado nesse mesmo círculo nas eleições legislativas de 1999, quando o partido então liderado por António Guterres ficou a somente um mandato de distância da maioria absoluta na Assembleia da República.

O PSD ficou à frente com 49,5% dos votos e um mandato, ao passo que o PS obteve 39,8% dos votos e o outro mandato em disputa, conseguindo assim eleger o cabeça-de-lista Victor Caio Roque como deputado pelo círculo de Fora da Europa.

Desperdiçados? No rescaldo das eleições legislativas, José Manuel Pureza, ex-deputado do Bloco de Esquerda, realça numa publicação no Facebook que "um milhão e duzentos mil votos não se traduziram em eleição de ninguém", defendendo por isso a criação de um "círculo nacional de recuperação" de votos.

Desde a fundação da democracia portuguesa, este círculo eleitoral foi quase sempre dominado pelo PSD, embora o CDS também tenha conseguido um mandato nas legislativas de 1976, 1983 e 1985.

Nem mesmo em 2005, quando o PS de José Sócrates conquistou uma ampla maioria absoluta ao nível nacional, o círculo de Fora da Europa deixou de atribuir os dois mandatos ao PSD, então com 57,7% dos votos.

_________________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque