Em fevereiro de 2009 a artista Santi White, que ficou conhecida como Santogold, decidiu mudar de nome artístico. Num comunicado de imprensa, citado pelo “Los Angeles Times”, o anúncio surgia sem grandes explicações: “Ela não vos vai dizer porquê, é mesmo assim. Não é um símbolo impronunciável, nem números onde não deviam estar… apenas… Santigold.”

O mistério foi usado estrategicamente para manter a comunicação social interessada nas verdadeiras razões que estiveram por trás da alteração de nome. E resultou, pois o site “Vulture”, a área digital de notícias de entretenimento da revista “New York”, encontrou Santi White na fila da frente num desfile do estilista Alexander Wang e não conseguiu conter a pergunta. A resposta manteve-se evasiva: “Acho que não vou responder. É demais. Apenas mudei de nome, OK?”.

Hum… Não, não está OK. Queremos mesmo saber porquê. E a Pitchfork fez-nos a vontade. Num artigo onde contextualiza a fama de Santi White que, em 2008, editou o álbum “Santogold” onde estavam, entre outros, os orelhudos temas "L.E.S. Artistes”, “Say Aha” ou “Lights Out", ficam evidentes as verdadeiras razões da alteração de nome, de forma irónica, inteligente e divertida: “Santogold era Santi White, a artista pop de Brooklyn que fez um dos melhores álbuns do ano passado [2008] e que estava a começar a despontar no topo da lista das melhores canções rap. Santo Gold, por outro lado, é Santo Rigatuso, o joalheiro/realizador/vendedor ambulante que fez este filme de tele-venda e “Blood Circus", um filme no-budget de 1985 de extra-terrestres e wrestlers. Conseguem perceber por que razão qualquer num de nós irá confundir estas duas personagens, certo? Quer dizer, são praticamente a mesma pessoa.” Em conclusão, a Pitchfork reconhece que, “aparentemente, o mundo não é suficientemente grande para dois Santogolds. E, agora, a Santogold de que realmente ouvimos falar mudou o seu nome artístico.”

O desconhecido realizador/joalheiro/tele-vendedor conseguiu, assim, alguma atenção para a sua figura e para uma obra nunca editada ao processar judicialmente Santi White, como confirma o “The Guardian”. Uma obra que merecia ver a luz do dia? O “The Guardian” acredita que não: “Trata-se de um filme de ficção científica em torno do universo do wrestling, onde extra-terrestres do planeta Zoran lutam contra os EUA e a União Soviética. Nunca foi - provavelmente sem surpresa - lançado para as salas de cinema.”

Santogold
Capa do primeiro disco de Santigold, ainda assinado como Santogold

Independentemente da fama e/ou reconhecimento do seu nome artístico, Santo Rigatuso sentiu-se compelido a lançar a confusão “no verão passado [verão de 2008], atacando a ‘impostora’ que lhe tinha ‘roubado o nome’”, relata o “The Guardian”. Santi White não foi a única visada pela ira litigante de Rigatuso.

A Downtow Music e a Lizard King Records também foram alvo de processo judicial - sublinha o “Los Angeles Times” -, em busca de compensação - monetária, claro - pelos danos causados à marca Santo Gold, que é usada por Rigatuso desde 1983, confirma o “New Musical Express”. De acordo com a mesma publicação, as alegações foram as seguintes: ”má fé e dolo na tentativa de confundir o público e prejudicar a carreira de Santo Gold”, cuja dimensão a “Pitchfork” e o “The Guardian” bem demonstraram.

Para lembrar que é o verdadeiro Santo Gold, Rigatuso publicou no YouTube, logo em 2008, um clip de vídeo para esclarecer as audiências.

Derrotada nesta pequena batalha, Santigold continuou a sua carreira, afirmando-se no mundo da música, com vários álbuns editados e diversos êxitos desde então. Ou seja, não chegou a ser sequer beliscada pela pseudo-batalha legal que Rigatuso tentou iniciar - sem êxito.

No rescaldo desta história, o joalheiro/realizador/vendedor conseguiu uma vitória clara, obrigando Santi White a mudar de nome artístico, fazendo o nome Santo Gold regressar ao anonimato letárgico em que estava desde o despontar da irreverente artista de Brooklyn. Parabéns?

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