"A remuneração bruta mensal média por trabalhador aumentou 4% no terceiro trimestre em termos homólogos face ao mesmo trimestre de 2021 (regime de auto-alimentação dos preços). Em termos reais, tendo como referência a variação do IPCH [Índice de Preços no Consumidor Harmonizado], a remuneração bruta total média diminuiu 4,7% (em outubro a taxa de inflação atinge os 10,1%)", realça-se num post de 11 de novembro no Facebook, remetido ao Polígrafo com pedido de verificação de factos.

De acordo com o último boletim de "Estatísticas do Emprego" do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicado a 10 de novembro, "a remuneração bruta total mensal média por trabalhador (por posto de trabalho) aumentou 4,0% no trimestre terminado em setembro de 2022 (3.º trimestre do ano), em relação ao mesmo período de 2021, para 1.353 euros. A componente regular e a componente base daquela remuneração aumentaram 3,8% e 3,7%, situando-se em 1.145 euros e 1.076 euros, respetivamente".

"Em termos reais, tendo como referência a variação do Índice de Preços do Consumidor, a remuneração bruta total média diminuiu 4,7%. As componentes regular e base diminuíram ambas 4,9%. Estes resultados abrangem 4,5 milhões de postos de trabalho, correspondentes a beneficiários da Segurança Social e a subscritores da Caixa Geral de Aposentações", informa o INE.

A remuneração bruta consiste na "remuneração ilíquida, em dinheiro ou em géneros, paga aos trabalhadores pelas horas de trabalho efetuadas ou pelo trabalho realizado no período normal e no extraordinário, incluindo o pagamento de horas remuneradas mas não efetuadas (férias, feriados e outras ausências pagas), e os subsídios de caráter regular, tais como subsídios de alimentação, função, alojamento ou transportes, diuturnidades ou prémios de antiguidade, produtividade, assiduidade e isenção de horário, ou trabalhos penosos, perigosos, sujos, por turnos e noturnos".

Em síntese, "ajustando para a inflação, medida pela variação do Índice de Preços no Consumidor (IPC), que foi 9,1% no trimestre terminado em setembro de 2022, as remunerações analisadas (total, regular e base) registaram as seguintes variações homólogas reais: -4,7%, -4,9% e -4,9%".

Confirma-se assim a veracidade da informação veiculada no post em causa, mas importa ressalvar um detalhe que está incorreto: confunde-se o IPC com o IPCH. De acordo com a definição do Banco de Portugal, "a principal diferença entre o IPC e o IHPC é a sua abrangência: o IPC é representativo da despesa das famílias residentes em Portugal, enquanto o IHPC reflete a despesa das famílias no território português, incluindo a de não residentes (turistas)".

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