"Em Portugal, o que acontece a um salário bruto de 1.500 euros por mês? Custo para a Empresa: 1.856,25 euros; Salário líquido: 1.099,00€ (59%); Estado: 757,25€ (41%)", destaca um tweet feito no dia 23 de novembro, acompanhado de um "print" de um simulador que apresenta as contas. Mas será que estão corretas?

O simulador a que o autor do "tweet" recorre está disponível no site "Doutor Finanças" e apresenta o salário líquido com base nas tabelas retenção para o segundo semestre deste ano. Com base nos valores apresentados na rede social X, constata-se que as contas tiveram por base um trabalhador não casado e sem dependentes a cargo.

Assim, com um vencimento bruto de 1.500 euros - sem incluir subsídio de alimentação -  o trabalhador irá receber, em termos líquidos, 1.099 euros. Isto porque, ao salário base de 1.500 euros desconta-se 11% para a Segurança Social que se traduz, neste caso, em 165 euros, e subtrai-se ainda 236 euros que correspondem à fatia de 15,73% para a retenção na fonte.

Tudo isto acarreta para a empresa um gasto total de 1.856,25 euros, uma vez que sobre os 1.500 euros tem ainda de pagar 23,75% de TSU. Quer isto dizer que, do montante pago pela empresa - os 1.856,25 euros - o Estado fica com 365,25 euros de impostos da empresa aos quais se somam os impostos do trabalhador, logo 59% chega ao bolso do trabalhador e 41% segue para o Estado, ou seja, os 757,25 euros indicados no tweet.

Contactado pelo Polígrafo, Luís Leon, fiscalista e co-fundador da consultora Ilya, confirma as contas acrescentando que o subsídio de alimentação não está incluído, mas que também "não é obrigatório". Este, de facto, é defendido na legislação portuguesa, mas não é obrigatório, tanto que não consta sequer no Código do Trabalho.

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Avaliação do Polígrafo:

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