O aviso lançado nas redes sociais tem como objetivo proteger os trabalhadores de recolha do lixo urbano, os quais lidam com os resíduos de pessoas contaminadas com o Covid-19. Deste modo, pede-se às pessoas que os sacos do lixo sejam sinalizados com uma fita vermelha - para que os trabalhadores saibam automaticamente que são de um doente infetado com o novo coronavírus - e que os mesmos sejam pulverizados com um desinfetante.

Confirma-se que os sacos do lixo de infetados com Covid-19 devem ser sinalizados "com fita vermelha"?

A chegada da pandemia de Covid-19 a Portugal levou o Governo e as autarquias a definirem planos de contenção da doença que incluíram medidas relativas ao processo de recolha de resíduos urbanos.

Em Lisboa, por exemplo, a recolha seletiva porta-a-porta foi suspensa pela Câmara Municial no dia 20 de março, com o objetivo de reduzir o contágio. No Porto, outro exemplo, os trabalhadores deixaram de poder entrar no interior dos estabelecimentos para fazer a recolha e passou a ser obrigatório colocar os sacos dentro dos contentores no exterior.

Também a Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgou uma série de conselhos para todos aqueles que estão em situação de isolamento devido à Covid-19. Ou seja, para casos já confirmados de infeção pelo novo coronavírus, ou pessoas que estão a passar pelo período de quarentena e vigilância.

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Os doentes de Covid-19 ou as pessoas em isolamento são aconselhadas pela DGS a utilizarem um caixote do lixo só para si, separando os seus resíduos do lixo dos restantes habitantes da casa. 

Segundo as mesmas indicações, o saco de plástico deve ficar apenas a 2/3 da sua capacidade e nunca se deve pressionar ou pisar os resíduos para que caiba mais lixo. Depois é preciso fechar bem o saco, usando um atilho ou um adesivo ou dando dois nós bem apertados. A DGS também aconselha a que não se retire o ar deste primeiro saco, que deve ser depois colocado dentro de um segundo saco. Este deve ser igualmente bem fechado, usando os mesmos “truques” - um atilho ou nós bem fortes. 

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Os sacos devem ser colocados de imediato nos contentores do prédio ou da rua. A DGS alerta que os resíduos das pessoas em isolamento não devem ser separados para reciclagem, nem colocados no ecoponto.

A proteção individual de quem manuseia os sacos do lixo também não é esquecida pelo organismo, que destaca a necessidade de lavar constantemente as mãos durante o processo. 

Até se atar o primeiro saco, é aconselhado o uso de luvas. Depois, estas devem ser correctamente retiradas e deitadas para cima do saco fechado. O passo seguinte, diz a DGS, é lavar logo as mãos. O gesto deve repetir-se depois de se atar o segundo saco. 

Ao levar o lixo para a rua, aconselha-se que “nunca encoste o saco com o lixo à roupa ou ao corpo”. É também dito para nunca usar a mão que leva o saco do lixo para “abrir ou fechar portas, mexer em puxadores, interruptores de luz,  botões do elevador e tanta do contentor coletivo de lixo doméstico do prédio ou na rua”. Ao chegar a casa, o conselho mais comum: lave de imediato as mãos com água e sabão”. 

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As diretrizes da DGS demonstram a necessidade de haver cuidados redobrados no manuseamento do lixo de pessoas infetadas com o novo coronavírus, desde o momento em que se colocam resíduos no saco até à altura em que se depositam os mesmo nos contentores.

No entanto, a principal alegação da mensagem sob análise é falsa. Não há qualquer indicação da DGS, ou pedido dos "funcionários responsáveis pela coleta de lixo", para que se coloque uma "fita vermelha" nos sacos que contenham lixo de infetados com Covid-19.

Na realidade, esta mensagem surgiu originalmente no Brasil, no âmbito de uma iniciativa de um município do Estado de São Paulo. Foi entretanto transposta para Portugal, onde há vários cuidados especiais a ter com o lixo de infetados mas que não incluem a sinalização com "fita vermelha".

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Nota editorial 1: este artigo foi corrigido no dia 8 de agosto, no sentido de modificar o ângulo da verificação de factos que, na versão inicial, não abordava a questão da "fita vermelha" nos sacos do lixo de infetados com a Covid-19.

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Nota editorial 2: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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