Rui Tavares está a ser alvo de críticas, nas redes sociais, devido a declarações proferidas sobre o peso da contribuição dos imigrantes na Segurança Social, em direto na SIC Notícias. No dia 16 de julho, o porta-voz do Livre esteve num painel com o historiador José Miguel Sardica a comentar o surto de violência em Múrcia, tendo acabado por destacar erradamente um dado sobre Portugal que não passou despercebido.
“Tínhamos quatro milhões de pessoas a trabalhar em Portugal em 2015, no fim da época da Troika e da austeridade. Agora, temos cinco milhões de pessoas a trabalhar, o que significa mais 20% da força de trabalho, que mais de um terço e talvez metade das contribuições para a Segurança Social são de imigrantes e que o nosso superávite é da imigração”, disse Rui Tavares.
“Ou isto é Inteligência Artificial ou já sabem, o estoriador conta estórias, pois então. Cai quem quer”, lê-se num tweet em que se destacam as referidas declarações de Tavares.
Na realidade, as contribuições dos imigrantes para a Segurança Social não corresponderam sequer a 15% do total no ano passado. De acordo com dados do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social – citados pela Comunicação Social – , em 2024, as contribuições dos estrangeiros a Portugal atingiram o recorde de 3,6 mil milhões de euros, valor cinco vezes superior àquele que é pago em prestações sociais e que equivale a 12,4% do total das contribuições à Segurança Social.
Embora a percentagem registada não se insira no intervalo indicado por Rui Tavares, verificou-se ainda assim uma subida significativa – cerca de 50% – em relação a 2021, quando as contribuições dos estrangeiros representavam 6,5% do total. Dentro da população estrangeira, os brasileiros foram o grupo (36,7%) que mais descontou, seguidos pelos indianos (6,6%) e pelos nepaleses (4,3%).
Contactado pelo Polígrafo, o porta-voz do Livre reconheceu o lapso cometido durante a intervenção e esclareceu que a intenção era referir que as contribuições dos imigrantes representam entre um terço e metade do excedente da Segurança Social e não da totalidade das contribuições para o sistema. Uma ideia que, aliás, já tinha expressado na Assembleia da República.
Para Tavares, a estimativa de que as contribuições dos imigrantes representam entre um terço e metade do superávit da Segurança Social chega até a ser “conservadora”. Isto porque, no ano passado, o excedente da Segurança Social foi de cerca de 5.6 mil milhões de euros, enquanto o saldo positivo da contribuição dos imigrantes (o valor que entrou depois de descontadas as prestações sociais) foi de cerca de 2,96 mil milhões de euros. Contas feitas, chega a equivaler a mais de 50% do excedente.
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Avaliação do Polígrafo:


