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Rui Tavares: “A esquerda tinha 60% do eleitorado em 2019 e desde então perdeu praticamente 1,5 milhões de votos”

Política
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O que está em causa?
O porta-voz do Livre, em entrevista ao "Público", afirmou ainda que o Livre foi o único partido à esquerda que não regrediu entre 2019 e 2025. Acerca dos números apresentados, Rui Tavares admitiu, em declarações ao Polígrafo, alguma imprecisão na apresentação dos dados.
© Filipe Amorim/Lusa

Em entrevista ao jornal “Público”, na edição de 9 de junho, Rui Tavares defendeu que a esquerda portuguesa precisa de fazer uma profunda reflexão, tendo em conta os resultados negativos do último ato eleitoral, em maio deste ano.

“As pessoas têm que se perguntar porque é que a esquerda tinha 60% do eleitorado em 2019, as últimas eleições normais que tivemos”, começou por afirmar o porta-voz do Livre. “E desde então perdeu praticamente 1,5 milhões de votos e todos os partidos de esquerda, à excepção do Livre, regrediram”, continuou. Mas será que tudo isto é verdade?

“A esquerda tinha 60% do eleitorado em 2019”

Rui Tavares confirmou ao Polígrafo que ao falar de “esquerda”, pretendia referir-se ao Bloco de Esquerda, CDU, Livre, PAN e PS. Nas eleições legislativas de 2019, de acordo com a Comissão Nacional de Eleições, estes partidos, em conjunto, somaram 2.965.125 votos, o que representa 59,5% do total de votos validamente expresso.

Com isto, conseguiu 144 de 230 assentos parlamentares, cerca de 62,6% do total.

“Desde então perdeu praticamente 1,5 milhões de votos”

Em 2025, o número de votos conquistados pela esquerda diminuiu para 2.097.261. Uma queda de 867.864 votos. Nem um milhão. Ao Polígrafo, o porta-voz do Livre admitiu poder ter-se expressado com alguma imprecisão quando falou sobre a perda de “praticamente 1,5 milhões de votos”.

“Se não me engano, em 2019 havia uma diferença de mais de um milhão e duzentos mil votos entre a esquerda e a direita. Isso perdeu-se e é a essa perda que me refiro”, explicou.

O conjunto de CDS, Chega, Iniciativa Liberal e PSD conseguiram somar 1.810.322 votos nas legislativas de 2019. A esquerda tinha, portanto, mais 1.154.803 votos. Ainda assim, ligeiramente abaixo do número indicado por Rui Tavares em declarações ao Polígrafo.

Em 2025, a situação inverteu-se. Enquanto a esquerda, como se referiu acima, conseguiu 2.096.261 votos, a direita composta por AD (em coligação sem o PPM no continente e com este na Madeira), IL e Chega somaram 3.786.016 votos. Desta vez, a direita teve mais 1.688.755 votos.

“Todos os partidos de esquerda, à excepção do Livre, regrediram”

Sobre o facto de todos os partidos de esquerda terem regredido à exceção do Livre, Rui Tavares tem razão. O BE perdeu 372.741 votos entre 2019 e 2025 e passou de 19 deputados para uma. A CDU perdeu 148.332 votos e nove mandatos, tendo agora apenas três deputados na assembleia. O PS teve menos 461.141 votos e menos 50 deputados. Por fim, o PAN perdeu 87.001 votos e de quatro deputados, tem agora uma,

O Livre foi, de facto, o único partido à esquerda em sentido contrário. Teve em 2025 mais 200.351 votos do que em 2019 e passou de um deputado para um grupo parlamentar de seis.

Apesar de ter razão acerca do eleitorado que a esquerda “tinha” em 2019 e sobre o facto de o Livre ter sido o único desses partidos a crescer desde essa altura, a afirmação de Rui Tavares acerca da perda de 1,5 milhões de votos não é verdadeira. Mesmo que – como disse ao Polígrafo – se referisse à diferença entre os votos de esquerda e direita, as contas não estão rigorosamente certas.

A afirmação completa de Rui Tavares merece, portanto, o carimbo de “impreciso”.

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Avaliação do Polígrafo:

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