Questionado sobre se “o Governo está a partidarizar os cargos na Saúde”, o líder do partido Iniciativa Liberal, em entrevista ao canal Now (ontem à noite, 11 de fevereiro), respondeu que “sim, creio que é uma evidência que há uma intenção de substituir administrações hospitalares. Aliás, a senhora ministra [da Saúde], logo no princípio do mandato, genericamente disse que as administrações hospitalares e das unidades locais de saúde eram fracas e, portanto, incluiu todo o espectro das administrações nessa afirmação”.
Nessa intervenção, Rui Rocha fez questão de ressalvar que “é evidente que haverá algumas que correspondem a esta designação [que eram “fracas], mas há muitas outras que, seguramente, são competentes e têm feito o melhor que podem, com as condições que lhes são dadas”.
E prosseguiu: “O que parece é que há aqui uma tentativa de substituição alargada deste tipo de cargos. E depois quem nomeiam para substituir, nós olhamos e dizemos, ‘mas que currículo é este, que capacidade tem esta pessoa com este percurso profissional, para gerir uma unidade daquela dimensão e com aquele grau de melindre e importância?’ E depois olhamos e dizemos, ‘pelo currículo não pode ser.'”
Rocha apontou depois para o exemplo de “um geógrafo” que “não tem nenhuma experiência nem actividade” no setor da Saúde, perguntando sobre “como é que chega a um cargo de administração?” Na sua óptica, “provavelmente é porque tem ali algum tipo de proximidade partidária que justifica, mas isso não é uma justificação que nós possamos aceitar”.
Confirma-se que o Governo de Luís Montenegro nomeou “um geógrafo sem experiência” para “cargo de administração” na Saúde?
Sim. Trata-se de Rui Amaro Alves, novo presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) de Castelo Branco.
O despacho de nomeação foi publicado em “Diário da República” no dia 20 de novembro de 2024. De acordo com a respetiva nota curricular, Amaro Alves é licenciado em Geografia e Planeamento Regional, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1990), mestre em Planeamento Regional e Urbano pelo Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa (1994) e doutor em Planeamento Regional e Urbano pelo Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa (2001).
Exerceu o cargo de Diretor-Geral do Território entre 2014 e 2017. Mais recentemente era gerente da empresa Planraia – Estudos e Consultoria da Raia. Não tem qualquer experiência no setor da Saúde, tal como afirmou o líder do Iniciativa Liberal.
Quanto à “proximidade partidária”, não é assim tão linear como sugeriu Rocha.
Na realidade, Amaro Alves liderava o Movimento Cívico “Castelo Branco Merece Mais” e concorreu à Presidência da Câmara Municipal de Castelo Branco nas eleições autárquicas de 2021, em candidatura integrada no Partido da Terra (MPT). Obteve 5,88% dos votos, na quinta posição, superando largamente a CDU e o Bloco de Esquerda. Mas não conseguiu eleger vereadores.
A nomeação de Amaro Alves para a ULS de Castelo Branco deixou o Movimento Cívico “Castelo Branco Merece Mais” sem candidato às eleições autárquicas deste ano, segundo reportou entretanto o “Diário Digital Castelo Branco” (28 de janeiro de 2025).
“O facto de o líder do Movimento Cívico ter sido nomeado, pelo Governo da AD, administrador da ULS de Castelo Branco, está a dificultar as próximas eleições, já que este seria a melhor opção para encabeçar a corrida à Câmara Municipal”, apurou esse jornal local.
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