Depois de António Costa ter escrito, na sua conta pessoal no Twitter, que o Governo vai "adotar a Agenda do Trabalho Digno e prosseguir o objetivo de reforço do peso dos salários no PIB para a média europeia", com recurso a um gráfico que mostra a evolução do peso das remunerações no PIB, foi a vez de Rui Rio confrontar o primeiro-ministro relativamente a estes valores.

"O gráfico do peso dos salários no PIB que o Sr. PM aqui publica é ilustrativo: em seis anos de governação, o PS ainda não conseguiu recuperar totalmente a queda que ele próprio provocou com a bancarrota para que atirou Portugal. É muito o tempo que temos perdido com o PS a governar", escreveu na mesma rede social o ainda líder social democrata.

Os números, e o gráfico onde se organizam, não deixam margem para dúvidas: mesmo com um crescimento acentuado nos últimos anos, o país ainda não conseguiu voltar aos números de 2011 no que respeita ao peso dos salários dos trabalhadores no PIB. As previsões são de que o consiga alcançar já este ano ou, pelo menos, em 2023, naquela que será uma aproximação aos números da Zona Euro até ao ano de 2026.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), desde 2009 até 2016 a proporção da remuneração dos empregados no PIB desceu de forma constante, caindo de 47,69% para os 43,55%. Desde o primeiro ano completo de governação de António Costa, esta variável tem ganho peso no PIB e subido também de forma constante (43,55% em 2016; 43,94% em 2017; 44,66% em 2018; 45,29% em 2019).

O ponto de viragem apontado por Rui Rio, em 2011, coincide com a chegada da troika a Portugal. A 6 de abril desse ano, uma carta que formalizava o pedido de empréstimo foi enviada ao Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia (CE). À data, José Sócrates, que já tinha pedido a demissão no final do mês de março, ainda era primeiro-ministro.

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