Afinal, do que é que precisa o país para ter melhores empregos e melhores salários? Rui Rio acredita que temos de "dirigir a política a quem cria os empregos e a quem paga os salários: as empresas", ao contrário daquilo que defende o seu oponente no debate de ontem à noite, João Oliveira, deputado do PCP.

"Nós temos que apoiar a produção porque é a produção que depois nos vai permitir uma melhor procura e, portanto, um melhor consumo", argumentou Rio, líder do PSD, comentando depois que falar com o PCP sobre este tema "é muito difícil", já que este quer "nacionalizar outra vez os setores todos".

"Isso não é verdade", refutou o deputado comunista, afirmando que o seu partido está "muito confortável com aquilo que a Constituição prevê de uma economia mista".

Rio procedeu a enumerar uma série de setores estratégicos que o PCP pretende nacionalizar e referiu ainda uma proposta dos comunistas que visa "restringir o capital estrangeiro". Embora entenda a lógica, Rio lembrou que "Portugal tem falta de capital. Se nós precisamos de investimento, se sem investimento não há crescimento, criação de emprego, melhores salários, como é que nós vamos fazer se restringirmos o capital estrangeiro?"

Só a nacionalização de setores estratégicos, afirma Rio, "levaria à ruina económica, levaria a salários nivelados pelo mais baixo que pode haver". Aliás, continuou o líder do PSD, "os países de Leste, com a sua entrada para a União Europeia, neste momento já nos passaram e entraram para a União Europeia muito depois de nós. E partiram de um nível de riqueza muito mais baixo".

Esta última alegação de Rio sobre os países da Europa de Leste tem fundamento?

De facto, consultando um relatório de 2020 da Comissão Europeia, confirma-se que "o rendimento médio per capita em paridade de poder de compra para os 10 países que entraram na União Europeia em 2004 já está ao mesmo nível de Portugal, superando uma diferença de cerca de 17 pontos percentuais em 15 anos".

Estes números também podem ser conferidos na base de dados Pordata, tendo em atenção que os 10 países que entraram na União Europeia em 2004 foram os seguintes: República Checa, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia, Eslováquia, Eslovénia (perfazendo oito da Europa de Leste), Malta e Chipre (perfazendo dois do Mediterrâneo).

Na República Checa, o PIB per capita foi, em 2020, de 27.900 PPS. Em Portugal foi de 23.000 PPS. Recorde-se que Portugal entrou na UE em 1986, 18 anos antes da República Checa.

Também a Estónia (25.700 PPS), a Hungria (22.100), a Letónia (21.400), a Lituânia (25.900), a Polónia (22.700), a Eslováquia (21.300) e a Eslovénia (26.400) têm valores muito próximos ou até mesmo superiores ao de Portugal, sendo que todos eles registaram um crescimento expressivo desde 2000.

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