"As pessoas formam-se, as pessoas estudam para ter um futuro e o que esperam é um salário de 1.100, 1.200, 1.300 euros… E depois admiramo-nos que as pessoas emigram. Hoje temos uma emigração que anda à volta das 84.000 pessoas por ano. Pessoas formadas por nós, pagas pelo nosso sistema, para que as possamos ter aqui para dinamizar o nosso sistema", criticou Rui Rio, durante o debate de ontem à noite frente ao primeiro-ministro António Costa, visado por essa crítica.

O nível de emigração está assim tão elevado?

De acordo com os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) e da Pordata, no ano de 2020 registou-se um total de 68.209 pessoas que emigraram, dos quais 25.886 de forma permanente (mais de um ano a viver no estrangeiro) e 43.323 de forma temporária (menos de um ano a viver no estrangeiro).

Em 2019 foram contabilizados 77.040 emigrantes, mais uma vez não coincidindo (embora um pouco mais próximo) com o número indicado no debate.

Nos anos transactos, de 2017 e 2018, o nível de emigração foi mais elevado: 81.051 e 81.754 pessoas, respetivamente. Mesmo assim não chegou a 84.000 pessoas, como referiu o líder do PSD.

Importa ainda assim notar que, fazendo a média à emigração nos anos de governação de António Costa, entre 2015 e 2020, último ano com dados disponíveis, o valor ronda os 84,4 mil emigrantes por cada ano, um número muito próximo daquele apontado por Rui Rio. Ainda assim, o líder do PSD referiu-se especificamente ao valor atual, aos dias de "hoje".

Ora, desde 2014 que o número de emigrantes tem vindo a diminuir, ano após ano. A diferença de 68.209 para 84.000 é tão significativa que não podemos deixar de classificar a alegação de Rio como errada.

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Nota editorial: Artigo atualizado às 10h30 de 14 de janeiro para acrescentar dados relativos à média da emigração nos seis anos de governação de António Costa.

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