O jornalista Vítor Gonçalves, que conduziu a entrevista, insistiu, sublinhando que a proposta do dia 4 de dezembro foi anterior à reunião do Conselho Nacional. Resposta de Rio: “Não, quem marcou para 4 de dezembro foi o conselho nacional contra a minha proposta que era esperar.” E rematou: “Uma mentira dita tantas vezes até parece que é verdade.”

O líder do PSD foi fiel aos factos?

A resposta é negativa. Na ordem cronológica dos acontecimentos, a proposta de 4 de dezembro foi da autoria da direção do partido (Comissão Permanente). Sucedeu a 13 de outubro, duas semanas e meia depois das eleições autárquicas (e da vitória em Lisboa) e na véspera do Conselho Nacional que analisaria os resultados autárquicos e no qual se previa que Paulo Rangel fizesse o anúncio interno da sua candidatura à liderança.

A direção do PSD enviou, nesse dia 13, à tarde, aos conselheiros nacionais, para apreciação e votação no dia seguinte, duas propostas de datas: 4 de dezembro (a da sua preferência) e 8 de janeiro (uma alternativa).

Nessa mesma tarde, o Presidente da República colocou, pela primeira vez, o cenário de dissolução do Parlamento como consequência direta da eventual não aprovação do Orçamento do Estado (OE) para 2022.

Poucas horas depois desta ameaça de Marcelo Rebelo de Sousa, Rui Rio fez uma declaração na Assembleia da República em que apelava para que se ponderasse a suspensão do calendário eleitoral que a direção do PSD tinha acabado de enviar até que a situação relativa ao OE ficasse definida: “Entendo que o Partido Social Democrata e particularmente o seu Conselho Nacional, daqui até lá [votação final global do Orçamento do Estado, 25 de novembro] deviam ponderar muito bem se devem efetivamente marcar as eleições diretas e o congresso para estas datas ou se o Conselho não deve antes não marcar as eleições e adiar para um novo Conselho, a reunir depois da votação do Orçamento do Estado”.

No dia seguinte, já na reunião do Conselho Nacional, a direção do partido apresentou um requerimento que concretizava formalmente o pedido para suspender o processo eleitoral até que se saber se o OE era ou não aprovado. A proposta dividiu os apoiantes de Rio (que votaram favoravelmente) e os de Rangel (que se opuseram a este adiamento), acabando por ganhar o 'não' com 71 votos contra 40 (e quatro abstenções).

É, assim, falso que Rui Rio e a sua direção não tenham proposto a realização das diretas a 4 de Dezembro. Mas também é importante sublinhar que logo a seguir, pela possibilidade do OE ser chumbado e o Parlamento dissolvido, quis suspender a data, tendo visto a sua iniciativa negada no Conselho Nacional por Paulo Rangel e os seus apoiantes.

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