A polémica surgiu quando se tornou público que o Primeiro-Ministro, António Costa, e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, faziam parte da Comissão de Honra da recandidatura de Luís Filipe Vieira à presidência do Sport Lisboa e Benfica. Entre os críticos da proximidade entre a política e o futebol encontrava-se Rui Rio, líder do PSD, que se demarcou completamente destas relações e lembrou a sua postura relativamente ao tema. 

“Penso que, no ativo político em Portugal nos últimos 20 anos, o político que está no último lugar para ser convidado para ser alguma coisa do futebol devo ser eu”, apontou o dirigente social-democrata numa conferência de imprensa realizada a 16 de setembro. 

É verdade que Rui Rio sempre manteve uma relação equidistante com o futebol, mesmo quando foi presidente da Câmara do Porto?

O líder do PSD sempre fez questão de não fomentar qualquer tipo de proximidade com o universo futebolístico, sendo mesmo conhecidas várias querelas com o FC Porto durante o período em que liderou a autarquia da cidade. O conflito começou em 2002, quando Rio tomou posse e herdou do Executivo autárquico anterior o Plano de Pormenor das Antas. 

O conflito começou em 2002, quando Rio tomou posse como presidente da autarquia do Porto e herdou do executivo autárquico anterior o Plano de Pormenor das Antas. 

O projeto incluía a construção do Estádio do Dragão e de um grande complexo desportivo na mesma zona, com vários acessos e áreas comerciais. Assim que foi eleito, Rui Rio afirmou que a Câmara não tinha orçamento para pagar a sua parte dos encargos, que ascendia aos 90 milhões de euros, e alterou o projeto. 

Tomada de posse de Pinto da Costa
Ao contrário do que sucedeu com Rui Rio quando liderava a autarquia portuense, Rui Moreira, seu sucessor, esforçou-se por fortalecer as relações com o Futebol Clube do Porto. Na foto, com Pinto da Costa, presidente do FCP créditos: LUSA

A liderança do FCP e o então autarca entraram em rota de colisão e o presidente portista, Jorge Nuno Pinto da Costa, chegou a dizer que Rui Rio não tinha “capacidade para gerir um quiosque”. Durante a campanha eleitoral para as legislativas de 17 de março de 2002, o atual líder do PSD teve que andar com escolta devido a ameaças de membros das claques do FC Porto. 

A liderança do FCP e o então autarca entraram em rota de colisão e o presidente portista, Jorge Nuno Pinto da Costa, chegou a dizer que Rui Rio não tinha “capacidade para gerir um quiosque”.

Por causa desta relação conflituosa, acabou a tradição de os portistas festejarem os títulos conquistados na varanda da autarquia, um ritual que acontece com a maioria dos clubes em todo o país. A receção aos campeões regressou em 2018, já com Rui Moreira como presidente da Câmara Municipal do Porto.

É público que Rui Rio é adepto do Boavista, mas nem essa preferência pessoal implicou que o político fomentasse uma relação de proximidade com o clube. Em 2003, quando o Boavista  recebeu o Celtic de Glasgow no Estádio do Bessa, para a Taça UEFA, o então autarca recusou o convite feito pela SAD do clube para assistir ao jogo.

Em 2003, quando o Boavista recebeu o Celtic de Glasgow no Estádio do Bessa, para a Taça UEFA, o então autarca recusou o convite feito pela SAD do clube para assistir ao jogo.

Em suma, pode concluir-se que Rui Rio é fiel à verdade quando afirma que sempre se distanciou do mundo futebol, inclusivamente quando ocupava cargos políticos autárquicos ou quando estava em causa o clube da sua preferência. A sua posição acabou por originar várias polémicas com a estrutura diretiva do FC Porto e os adeptos portistas. 

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