Na abertura do debate de ontem à noite na TVI, entre Rui Rio (PSD) e Francisco Rodrigues dos Santos (CDS-PP), a jornalista Sara Pinto referiu-se a "dois partidos da direita, habituais companheiros de coligação, mas que nestas legislativas concorrem separados". Logo na primeira intervenção, Rio fez questão de corrigir: "Não é um debate entre dois partidos de direita. É um debate entre um partido de direita e um partido do centro".

Estava assim lançado o mote para explicar a decisão do PSD de não se coligar com o CDS-PP para as eleições legislativas de 30 de janeiro. "Porque é que nós não nos candidatamos em conjunto? Aquilo que é a tradição, tirando a Aliança Democrática, no tempo do professor [Francisco] Sá Carneiro e do professor [Diogo] Freitas do Amaral, tirando essa situação nós candidatámos-nos sempre separadamente, à excepção da PáF [coligação Portugal à Frente] porque vínhamos em conjunto do Governo", sublinhou Rio.

"Estávamos no Governo em conjunto, havia eleições em que o Governo se tentava manter, através do doutor Pedro Passos Coelho e do doutor Paulo Portas, e aí fazia todo o sentido a coligação. Portanto, aquilo que nós estamos a fazer não é nada de diferente daquilo que é comum", acrescentou o líder do PSD.

É essa "a tradição", concorrerem separadamente?

Analisando o historial de eleições legislativas desde 1975 (incluindo as eleições desse ano para a Assembleia Constituinte), verifica-se que num total de 16 eleições, o PSD (sucedâneo do PPD) e o CDS-PP (sucedâneo do CDS) apenas concorreram três vezes em coligação pré-eleitoral: no âmbito da coligação Aliança Democrática (que incluiu também o PPM) em 1979 e 1980; e no âmbito da coligação Portugal À Frente em 2015.

Ou seja, nas outras 13 eleições concorreram sempre separados, embora em duas ocasiões tenham estabelecido coligações pós-eleitorais, tal como aconteceu em 2011, formando então um Governo liderado por Pedro Passos Coelho (líder do PSD) e Paulo Portas (líder do CDS-PP).

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Eleições legislativas:

1975 - Separados

1976 - Separados

1979 - Coligação Aliança Democrática

1980 - Coligação Aliança Democrática

1983 - Separados

1985 - Separados

1987 - Separados

1991 - Separados

1995 - Separados

1999 - Separados

2002 - Separados

2005 - Separados

2009 - Separados

2011 - Separados

2015 - Coligação Portugal À Frente

2019 - Separados

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Por outro lado, num total de oito eleições para o Parlamento Europeu, o PSD e o CDS-PP concorreram duas vezes em coligação: Aliança Portugal em 2014 e Força Portugal em 2004, ambas derrotadas pelo PS. Quanto às eleições autárquicas, as coligações são mais frequentes, mas na prática disputam-se 308 eleições distintas de cada vez (por cada município), pelo que a escala não é comparável.

De qualquer forma, Rio referiu-se explicitamente a eleições legislativas e, nesse plano, a afirmação é factualmente correta.

Ora, na grande maioria (13 em 16) das eleições legislativas desde 1975, o PSD e o CDS-PP concorreram separados. Tem sido essa "a tradição". Não impediu, contudo, o estabelecimento de coligações pós-eleitorais para formar Governo em 2011 (Passos Coelho e Portas) e em 2002 (Durão Barroso e Portas).

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