O atual “ministro-sombra” da Justiça no “Governo-sombra” do Chega (e antigo dirigente do PSD, além de ministro dos Assuntos Parlamentares no breve Governo de Pedro Santana Lopes, entre 2004 e 2005), Rui Gomes da Silva, questionado em entrevista à rádio Renascença e jornal “Público” (edição de 27 de março) sobre se “o PSD privilegia mais a sua direita para negociar”, desde logo no que respeita aos novos juízes para o Tribunal Constitucional, admitiu que “não sabe” mas aproveitou para expressar uma sua “convicção” sobre o relacionamento de Luís Montenegro com o Chega.
“A pressão da Europa para que não haja coligações à direita é a única justificação que entendo plausível para que Luís Montenegro não tenha feito a coligação com o Chega”, afirmou Gomes da Silva, referindo-se a uma coligação de Governo, hipótese rejeitada por Montenegro. “Quem defendia ‘linhas vermelhas’ em relação ao Chega não era Luís Montenegro, era Jorge Moreira da Silva”, sublinhou.
Referia-se à disputa entre Montenegro e Moreira da Silva nas eleições diretas para a liderança do PSD em 2022, que resultaram na vitória daquele – Montenegro – que viria a tornar-se Primeiro-Ministro dois anos depois.
Gomes da Silva tem razão no que disse quanto às “linhas vermelhas?
Na fase inicial da campanha para as eleições diretas em 2022, recorde-se, Montenegro ainda hesitou, ou pelo menos evitou falar do Chega. Mas o facto é que acabou por assumir que esse partido rival, chefiado por André Ventura, era mesmo “uma linha vermelha” para o PSD e que não tencionava “negociar nada” com o Chega.
No dia 20 de abril de 2022, Moreira da Silva tinha sido peremptório ao traçar uma “linha vermelha” de distanciamento face ao Chega, declarando: “Comigo, não. Na casa do PSD não cabem racistas, xenófobos e populistas.”
E três dias depois foi o próprio Montenegro, num evento de campanha eleitoral, quem apontou no mesmo sentido, afirmando: “É óbvio que nós, no PSD, temos uma ‘linha vermelha’ que nunca ultrapassamos, que é a dos nossos valores e a dos nossos princípios. Qual é a dificuldade em perceber isto? Isto já faz parte do nosso ADN!”
O futuro líder do PSD e futuro Primeiro-Ministro ainda acrescentou: “Não estou a pensar negociar nada com o Chega, nem precisamos de negociar nada com o Chega.”
Em conclusão, Gomes da Silva não tem razão ao sugerir que Montenegro não defendia “linhas vermelhas” em relação ao Chega quando era candidato à liderança do PSD em 2022.
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