"Até agora, o Benfica não foi acusado de nada (…). E os processos que estão em curso neste momento não têm a ver com o Benfica mas sim com o Luís Filipe Vieira e têm a ver com algo fora do Benfica e não com algo que se passou dentro do Benfica."

Esta é uma das afirmações do debate entre os dois candidatos à presidência do Benfica – realizado na quinta-feira na BTV - mais citada nas redes sociais e teve como autor Rui Costa, que à altura da detenção do então presidente Luís Filipe Vieira era vice-presidente do clube.

Filipe Vieira foi detido a 7 de julho deste ano no âmbito da operação "Cartão Vermelho". O Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) do Ministério Público emitiu no próprio dia um comunicado explicativo do que ocorreu nesse dia, cujo título era "Negócios do futebol. Diligências".

Sobre o fulcro da matéria investigada o DCIAP adiantou: "No processo investigam-se negócios e financiamentos em montante total superior a 100 milhões de euros, que poderão ter acarretado elevados prejuízos para o Estado e para algumas das sociedades. Em causa estão factos ocorridos, essencialmente, a partir de 2014 e até ao presente e suscetíveis de integrarem a prática, entre outros, de crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento."

Os outros três detidos naquela quarta-feira de julho foram os empresários Tiago Vieira (filho de Luís Filipe Vieira, que lhe sucedeu nos negócios), José António dos Santos (maior acionista individual da Benfica SAD e amigo de longa data de Filipe Vieira) e Bruno Macedo (agente de jogadores de futebol que fez alguns negócios com o Benfica).

As sociedades ou entidades alegadamente lesadas pelos suspeitos foram precisamente o Benfica, o Novo Banco e o próprio Estado. 

Entre as medidas de coação aplicadas ao arguido Luís Filipe Vieira estava a "proibição de contactar (…) qualquer administrador ou funcionário do Novo Banco, bem como qualquer membro da administração da Sport Lisboa e Benfica SAD".

Portanto, é falso que os processos em que Luís Filipe Vieira está envolvido e que levaram à sua constituição de arguido não tenham "a ver com o que se passou dentro do Benfica". De facto, o clube, alegadamente, terá até sido prejudicado e, precisamente por isto, vários dos ilícitos imputados a Vieira passaram-se dentro do Benfica, decorrendo da sua gestão do clube.

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