Uma ode ao Governo do PS em contraponto ao período de intervenção da Troika em Portugal: no debate parlamentar de ontem, a deputada Romualda Fernandes criticou a proposta do PSD (que viria a ser chumbada) de criar um Programa Nacional de Atração, Acolhimento e Integração de Imigrantes, destacando que a população imigrante tem aumentado nos últimos anos (pré-pandemia), ao contrário do que se verificou durante o último período de governação do PSD e CDS-PP.

"A proposta que nos trouxeram é para atração de imigrantes, que é para resolver o problema do 'grande Inverno' [demográfico]. Em seis anos consecutivos a população imigrante foi sistematicamente crescendo, enquanto que durante a Troika não só não cresceu como o saldo migratório foi negativo", afirmou Romualda Fernandes na reunião plenária de 18 de janeiro.

Tem razão?

De acordo com os dados da Pordata, durante o período de assistência financeira da Troika (2011-2014), o saldo migratório foi sempre negativo, não contrariando a tendência dos anos anteriores, mas acentuando-a. Durante esses anos, o saldo variou entre -24,3 milhares, em 2011, e -37,3 milhares, em 2012.

Por outro lado, desde que António Costa subiu ao poder que tem tentado contrariar a trajetória e, apesar de o primeiro ano completo de governação (2016) ter tido ainda uma marca negativa a este nível (saldo migratório de -8,3 milhares), a verdade é que a partir de 2017 o indicador ficou sempre acima do zero. A saber: 5,1 milhares em 2017, 11,6 milhares em 2018, 44,6 milhares em 2019, 114,6 milhares em 2020 e 25,6 milhares em 2021.

Além disso, é também parcialmente correto dizer que a população imigrante diminuiu durante 2011, 2012, 2013 e 2014. No primeiro ano de intervenção da Troika, Portugal perdeu cerca de 7.906 imigrantes (portugueses e estrangeiros): tinha 27.575 em 2010, ficou com 19.667 logo em 2011. Um ano depois o número continuava a cair, desta vez para os 14.606 imigrantes. Em 2013 e 2014, porém, e embora os números não tenham voltado ao normal pré-Troika, a verdade é que a população imigrante aumentou para 17.554 e 19.516, respetivamente. Em 2015, já com a troika fora e com Costa a chegar ao Governo, esta franja da população aumentou para 29.896 cidadãos.

Nos anos seguintes o número continuou a aumentar (29.925 em 2016, 36.639 em 2017, 43.170 em 2018 e 72.725 em 2019. O primeiro ano de pandemia de Covid-19, 2020, registou um decréscimo no número de imigrantes para os 67.160, um valor que o ano de 2021 não conseguiu recuperar e durante o qual os imigrantes em Portugal diminuíram para 50.721.

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