Após ter sido confrontado com as recentes palavras de Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna que se referiu ao CDS-PP como um "náufrago", devido aos maus resultados nas sondagens, Francisco Rodrigues dos Santos enumerou uma série de medidas políticas defendidas pelo seu partido, como o combate à corrupção e a valorização da iniciativa privada.

"Mas essa sua agenda não está a passar, tem a noção disso?", questionou o entrevistador. Ao que Rodrigues dos Santos contrapôs: "É importante dizermos o seguinte, se quisermos ser honestos intelectualmente. Eu fui eleito presidente do CDS-PP numa altura em que o partido se afirmava, em sondagens, perto de 1%. Eu tive uma pandemia, fui eleito a seguir ao pior resultado de sempre da história do CDS-PP e tive um xadrez político inédito na nossa História, onde à direita do PS nasceram novas forças".

Confirma-se que foi eleito líder quando o CDS-PP tinha apenas 1% nas sondagens?

De facto, Rodrigues dos Santos assumiu a liderança do CDS-PP no dia 26 de janeiro de 2020, sucedendo a Assunção Cristas no cargo. Por essa altura, o CDS-PP sofria uma queda abrupta nas sondagens que não refletiam ainda a eleição do novo presidente.

De acordo com um inquérito da Intercampus baseado em 619 entrevistas realizadas entre os dias 19 e 24 de janeiro de 2020, o CDS-PP obtinha apenas 1,9% das intenções de voto em eleições legislativas, uma descida significativa face à sondagem anterior em que tinha registado 3,9% das intenções de voto.

Ainda assim, estas sondagens foram divulgadas com apenas um mês de intervalo, como de resto acontece durante os restantes meses do ano, pelo que é enganador ter em conta apenas este resultado.

Ora, calculando a média das percentagens registadas nos três meses anteriores à liderança de Rodrigues dos Santos - novembro de 2019 (2,9%), dezembro de 2019 (3,9%) e janeiro de 2020 (1,9%) - obtemos 2,9% de intenções de voto para o CDS-PP.

Na primeira sondagem da Intercampus realizada após a eleição de Rodrigues dos Santos, o CDS-PP conseguiu atingir 3,5% das intenções de voto, uma estimativa que chegou a 4,8% em julho de 2020.

Mas importa ressalvar que há outras sondagens que não são tão positivas para o partido de Rodrigues dos Santos. Se as eleições legislativas tivessem sido em abril deste ano, de acordo com a sondagem da Aximage, o CDS-PP seria mesmo o partido com menos votos, colhendo apenas 0,4%.

Quanto à alegação de que terá sido eleito líder a seguir ao "pior resultado de sempre da história do CDS-PP", o Polígrafo/SIC já confirmou que não é inteiramente verdade. Com 4,3% dos votos, Cristas conseguiu eleger apenas cinco deputados do CDS-PP no Parlamento em 2019. Ainda assim, em 1987, sob a liderança de Adriano Moreira, o CDS, embora com 4,4% dos votos, elegeu apenas quatro deputados.

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Avaliação do Polígrafo:

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