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Rita Matias sugeriu que Mbappé meteu “o nariz onde não era chamado” após afirmações políticas, embora o Chega defenda que os atletas “devem gozar de plena liberdade de expressão”?

Política
O que está em causa?
Na segunda-feira, o atleta francês pediu aos jovens para que atuem no sentido de fazer a diferença nas eleições legislativas agendadas, no país, para os dias 30 de junho e 7 de julho – manifestando-se contra os “extremos”. Já depois disso, a deputada do Chega sugeriu, nas redes sociais, “que o jogador meteu o nariz onde não era chamado”. Mas será que, no programa do partido, se defende a “plena liberdade de expressão e pensamento” dos atletas?
© EPA/FRIEDEMANN VOGEL

Depois de o futebolista Kylian Mbappé ter fraturado o nariz, na estreia da seleção francesa no Campeonato Europeu de Futebol na Alemanha, multiplicaram-se as reações nas redes sociais. Uma delas veio de Rita Matias, do Chega, que partilhou no X, na terça-feira, uma imagem do atleta a ser assistido, após o embate que sofreu no encontro com a Áustria, com a seguinte legenda: “Pois… França aos franceses!”

Na sequência da polémica afirmação, a deputada sentiu a necessidade de clarificar essa declaração: “Tenham calma, estava só a sugerir que o jogador meteu o nariz onde não era chamado.” Um comentário que surge após Mbappé, em conferência de imprensa de antevisão a esse jogo, na segunda-feira, ter aproveitado a ocasião para apelar aos eleitores franceses – chamados a ir às urnas nos dias 30 de junho e 7 de julho, para eleger um novo Governo – para votarem contra os “extremos” nesse escrutínio.

Apesar de Rita Matias não fazer, nessa publicação, uma referência direta às declarações do futebolista, já o tinha feito num momento anterior, também no X. Pelo que a associação entre este seu comentário às mesmas foi quase imediata nas redes sociais, tendo havido quem notasse que, no programa eleitoral do Chega, estaria escrito o seguinte: “Os atletas, como indivíduos, devem gozar de plena liberdade de expressão e pensamento, sem receio de represálias ou censura.” Confirma-se?

Sim. Em causa uma afirmação que consta no Programa Eleitoral do Chega às legislativas de 2024. Mais concretamente, no XX Capítulo, intitulado: “Tornar o desporto um desígnio nacional. Como?”

Logo na introdução deste capítulo, esclarece-se que, para o partido, “uma das principais prioridades no que ao desporto diz respeito é preservar que este, em Portugal, se mantenha completamente imune às tendências ‘woke’”. E acrescenta-se, de seguida, a citação que foi destacada na publicação alvo de análise: “Os atletas, como indivíduos, devem gozar de plena liberdade de expressão e pensamento, sem receio de represálias ou censura.”

O Chega destaca, de seguida, que tem “assistido a vários casos internacionais em que atletas foram ‘cancelados’ por terem, por exemplo, recusado usar nos seus equipamentos alusões à agenda LGBT ou outros por unicamente defenderem que uma mulher trans não é uma mulher biológica e como tal não deve competir nas categorias femininas”. E é por tais razões que diz comprometer-se “a assegurar e defender o desporto em Portugal livres das pressões destas agendas”.

Assim, apesar das declarações recentes de Rita Matias sobre o francês Kylian Mbappé, confirma-se que, no programa eleitoral a propósito das últimas eleições legislativas, o Chega considerou que os “atletas, como indivíduos, devem gozar de plena liberdade de expressão e pensamento, sem receio de represálias ou censura”.

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Avaliação do Polígrafo:

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