"Neste momento, as companhias aéreas estão a alertar os clientes vacinados para o alto risco de coágulos sanguíneos. (...)  A partir de uma determinada altitude de voo, há um risco aumentado de complicações, derrame, trombose ou ataque cardíaco. (...) Agora temos informações que confirmam que qualquer pessoa que receber a vacina (não importa a marca) tem problemas de entupimento e sangramento, como uma das principais reações da vacina", lê-se num dos posts em causa, com o texto que está a ser difundido nas redes sociais em várias línguas.

"Essas discussões estão apenas a começar, mas parece que nem todos os que foram vacinados podem voar. Os não vacinados, por outro lado, podem embarcar em paz", alerta-se.

Questionada pela AFP Checamos sobre esta matéria, no âmbito de um artigo de verificação de factos, a porta-voz da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), que representa 290 companhias aéreas num total de 120 países, assegurou que "não tinha conhecimento de nenhuma empresa" que estivesse a impedir o transporte de passageiros vacinados devido ao risco de coágulos no sangue.

A associação Airlines for Europe (A4E) também negou tais alegações. A respetiva porta-voz garantiu que "não haverá tais discussões entre as companhias aéreas sobre a proibição de voar. Quer para os passageiros vacinados, quer para os não vacinados". A mesma informação foi transmitida pela Lufthansa, companhia aérea alemã, e pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) brasileira.

Na verdade, ainda que sejam considerados efeitos colaterais, os coágulos têm uma incidência muito pouco significativa nos vacinados contra a Covid-19. Em abril deste ano, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) assegurou que os benefícios das vacinas superam os possíveis riscos, nomeadamente os coágulos.

De notar ainda que as vacinas baseadas num vetor viral são diferentes das vacinas de tecnologia de RNA mensageiro (mRNA), referidas nos posts, "que dão instruções para que as células sintetizem a proteína spike que se encontra na superfície do SARS-CoV-2. A EMA indicou em maio que não detectou indícios de vínculo entre coágulos no sangue e as vacinas de mRNA, como as da Moderna e da Pfizer/BioNTech".

Em declarações à AFP Checamos, Marie-Antoinette Sevestre-Pietri, professora de Medicina Vascular no Hospital Universitário de Amiens e presidente da Sociedade Francesa de Medicina Vascular, enumerou uma série de fatores que podem contribuir para um caso de trombose durante uma viagem de avião: "A altitude, a pressurização, o ar e a hidratação do passageiro. Se ficar um pouco preso entre dois assentos, não caminhará muito e, se consome um pouco de álcool ou sente medo no avião, ficará ainda mais desidratado". Além disso, "existe um risco fundamental associado a viagens mais longas, especialmente as com mais de oito horas e com pacientes que já têm fatores de risco".

"Existe uma incidência de entre 1% e 5% em pacientes com alto risco de trombose nas pernas (flebite). Por outro lado, uma embolia pulmonar potencialmente mortal é extremamente rara (um ou dois casos para cada milhão de viajantes)", especificou.

No que respeita ao cruzamento de riscos de trombose associada à vacinação contra a Covid-19 (trombose imunológica) com viagens de avião, Sevestre-Pietri garante que "não há absolutamente nenhuma razão" para que se considere que uma viagem de avião possa promover uma trombose imunológica. "Não há motivo algum para não embarcar um passageiro sob o pretexto de que está vacinado", concluiu.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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