"Os militantes não têm tempo para pagar as suas quotas, aqueles que não têm a quota em dia. Portanto, a proposta que eu faço, dado o carácter absolutamente excecional disto tudo, é termos uma abertura excecional e votam todos os militantes ativos. Não é todos os cadernos eleitorais, é todos os que estão ativos, ou seja, aqueles que têm a quota atrasada um ou dois anos, mais do que isso não, só se pagarem a quota. Passando de um universo de 20, 30 mil e tal para um universo de 70 e tal mil militantes. Para quem estava preocupado com a legitimidade, a legitimidade ainda sai mais reforçada. Para quem dizia que alguém tem medo, pois bem, eleição mais aberta não pode haver. Vão votar todos os militantes ativos. Alguém tem medo disto? Eu não tenho medo de eleições, nunca tive medo de eleições, muito menos tenho de cadernos eleitorais alargados", disse Rui Rio, esta tarde, perante os jornalistas, depois de ter defendido a mesma proposta no Conselho Nacional que decorre em Aveiro.

"A proposta que eu faço, dado o carácter absolutamente excecional disto tudo, é termos uma abertura excecional e votam todos os militantes ativos. Não é todos os cadernos eleitorais, é todos os que estão ativos, ou seja, aqueles que têm a quota atrasada um ou dois anos, mais do que isso não, só se pagarem a quota".

O líder do PSD foi prontamente questionado sobre uma possível incoerência, uma vez que, em 2019, Luís Montenegro sugeriu a abertura dos cadernos eleitorais para militantes sem quotas pagas e essa proposta foi chumbada. Na altura, Rio disse que a proposta violava os estatutos e que essa alteração aos regulamentos tinha de passar pelo congresso.

Na resposta, Rio sublinhou que que não mudou de ideias e que defende o mesmo desde que foi secretário-geral do PSD. No entanto, justificou que "agora, nós estamos numa situação absolutamente excecional porque vamos ter eleições legislativas e temos de ter soluções excecionais para momentos excecionais. A não ser que queiram fechar o caderno muito, muito, muito, para não fazer uma eleição o mais aberta possível. Mas se fizerem como eu digo que deve ser feito, que é fazer as eleições internas depois das legislativas, evidentemente que aí é a regra normal e transversal".

Mas o que dizia Rui Rio em 2019?

Há dois anos, Rui Rio foi contra a ideia de abrir a votação a todos os militantes: "Aquilo que os regulamentos e estatutos dizem é que para eleger ou ser eleito é preciso ter a quota em dia, e diz isso há muitos anos, sempre foi assim."

Estatutos do PSD:

créditos: © PSD

Regulamento de quotizações:

créditos: © PSD

O presidente do PSD acrescentou ainda que só apoiaria uma iniciativa desse género se as eleições fossem abertas também a simpatizantes como fez o PS em primárias. "Não sei como propor, se alguém tiver uma solução legal para que assim possa acontecer, provavelmente serei um apoiante dessa iniciativa", afirmou, mas defendendo que tal só deveria acontecer de "longe a longe" e não em todas as eleições diretas.

"Aquilo que os regulamentos e estatutos dizem é que para eleger ou ser eleito é preciso ter a quota em dia, e diz isso há muitos anos, sempre foi assim".

Questionado se esta abertura a primárias poderia acontecer já na próxima eleição, Rio repetiu que apoiaria a ideia "se houver quem consiga uma solução do ponto de vista regulamentar e estatutário", ao mesmo tempo que admitiu não ver como tal poderia acontecer, insistindo que os estatutos só podem ser alterados em congresso.

Em conclusão, apesar de agora defender que os militantes possam votar nas eleições diretas do PSD mesmo sem as quotas em dia, Rui Rio sublinha que essa é uma solução excecional para um momento excecional e que não faria uma proposta semelhante se se realizassem as diretas após as eleições legislativas de 30 de janeiro de 2022 (como continua a defender).

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