Desde o início da campanha de Donald Trump para a Casa Branca que a opinião pública se dividiu: será um génio ou um louco? Uma imagem partilhada milhares de vezes nas redes sociais afirma que o nível de QI de Donald Trump é de 73 pontos, o que estaria “abaixo da média”. A maioria da população tem um QI entre os 85 e os 115 pontos, sendo que quem tem abaixo dos 70 pontos é considerado “intelectualmente incapacitado”, explica um artigo da Vox. Este seria o resultado de um teste feito por Trump no primeiro ano da Academia Militar de Nova Iorque (NYMA, na sigla inglesa). O texto termina com um insulto direto a Donald Trump, apelidando-o de “completo e total idiota”.

O documento que alegadamente comprova o baixo QI do presidente norte-americano terá sido encontrado pelo filho de um conselheiro escolar que trabalhou na NYMA entre 1955 e 1985, explica o artigo. A data corresponde com o período em que Trump estudou na NYMA, uma vez que este terminou o ensino militar em 1964. William Askew Júnior, o homem que divulgou esta história, surge numa das imagens laterais do artigo.

Trump afirmou que consegue liderar os Estados Unidos sem ter de recorrer aos serviços secretos?
créditos: Pixabay

Essa fotografia é a primeira prova de que a informação divulgada é falsa: a imagem utilizada para ilustrar a principal fonte do artigo está disponível no banco de imagens da Adobe com a descrição “retrato de um homem idoso”. Já a imagem do pai de Askew corresponde a Lawrence W. Hanson, que na década de 1950 foi diretor da escola secundária de Grand Forks Central, situada na fronteira dos Estados norte-americanos da Dakota do Norte e do Minnesota.

O próprio conselheiro escolar de apelido “Askew” nunca existiu. Jack Serafin, vice-presidente do Regimento de Graduados da NYMA, explicou ao Politifact que a “NYMA não fazia testes de QI e o conselheiro ‘Askew’ que esteve lá mais de 30 anos não existe”. “O único teste de que eu me lembro foi o de admissão à escola, como um SAT [exame de ingresso], que era feito antes de se concorrer”, acrescentou.

Apesar de ter características que indicam tratar-se de uma informação falsa, não é possível confirmar se o nível de QI indicado é verdadeiro uma vez que nunca foi divulgado qualquer teste de QI do presidente norte-americano, nem há registo de que esse tipo de testes seja feito na Casa Branca.

Porém, Trump tem vindo a mostrar que o nível de QI é um motivo de orgulho pessoal: em vários momentos, Trump utilizou-o como arma de arremesso contra os seus adversários e como forma de auto-elogio. Recentemente, numa entrevista à Forbes, o presidente norte-americano desafiou o antigo secretário de Estado Rex Tillerson a compararem testes de QI depois de ter sido confrontado com as declarações de Tillerson, que lhe chamou “atrasado”. “Eu acredito que são notícias falsas, mas se ele fez isso, o melhor é compararmos testes de QI. E eu posso dizer quem vai ganhar”, respondeu.

Os níveis de QI dos líderes norte-americanos sempre foram motivo de curiosidade. Em 2006, o psicólogo Dean Keith Simonton apresentou um estudo na Universidade da Califórnia que concluía que o sexto presidente norte-americano, John Quincy Adams, tinha um QI entre 165 e 175, o equivalente ao nível de génio. Na lista desenvolvida pelo psicólogo, Thomas Jefferson surgia em segundo lugar entre os mais inteligentes, com um QI entre 145 e 160, seguido de John F. Kennedy entre 138 e 159. Para calcular o nível de QI, Simonton aplicou um algoritmo que tinha em conta a performance presidencial, assim como as classificações de historiadores e politólogos, as biografias presidenciais, entre outros fatores.

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