Em associação a uma imagem do Parlamento Europeu, num post de 22 de outubro que está a ser partilhado por centenas de pessoas no Facebook, alega-se que "os deputados do Parlamento português, já sabemos, são uns inúteis. E de acordo com o relatório do Parlamento Europeu de maio de 2021, os eurodeputados portugueses estão entre os mais ineficazes, com um índice que vai, por exemplo, do quociente 1 de Nuno Melo (CDS-PP), ao 0 de Paulo Rangel (PSD) e aos negativos de Marisa Matias (BE) com -4, Francisco Guerreiro (PAN) com -6, Pedro Marques e Carlos Zorrinho (PS) com -7, entre outros, todos no fim da tabela".

"Naturalmente, esta informação não passou na TVI, nem na SIC, nem na RTP. Confirma no link abaixo, a lista dos trastes que o regime exporta para Bruxelas", conclui-se.

O relatório em causa, na realidade, consiste num ranking elaborado pelo "BrusselsReport.eu", um site que não tem qualquer ligação formal ao Parlamento Europeu. Ou seja, não é um "relatório do Parlamento Europeu". Mais, os eurodeputados são classificados neste ranking mediante uma série de critérios que não incluem a suposta "eficácia".

Não é um relatório, não é do Parlamento Europeu, não avalia a "eficácia" dos eurodeputados.

Do que se trata, afinal? No referido site indica-se que os eurodeputados estão a ser classificados de acordo com a perspetiva do 'BrusselsReport.eu' que pretende ser uma plataforma que oferece uma alternativa ao consenso político dominante da União Europeia".

Nesse sentido, critica as "transferências fiscais", "uma abordagem política de cima para baixo", "políticas monetárias laxistas", "protecionismo", "regulação excessiva ou mal orientada". Em contraponto, apoia a "descentralização", "competição fiscal e regulatória", "impostos baixos", comércio livre", entre outras políticas.

A "eficácia" corresponde a um maior ou menor alinhamento com a perspetiva política defendida pelo site que é editado por Pieter Cleppe, um advogado de nacionalidade belga. A classificação baseia-se sobretudo nos votos dos eurodeputados em matérias relacionadas com "transparência e responsabilização financeira", "subsidiariedade", "liberdades civis" e "economia de mercado livre".

De resto, esclarecidos os critérios do ranking, é verdade que os eurodeputados surgem (na sua maioria) mal classificados, mas não estão "todos no fim da tabela". O facto é que nas classificações mais baixas de -8 e -9 não aparece um único eurodeputado de nacionalidade portuguesa. Mais um elemento falso.

Em suma, o post está a reproduzir desinformação.

___________________________________

Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

Assina a Pinóquio

Fica a par de todos os fact-checks com a newsletter semanal do Polígrafo.
Subscrever

Recebe os nossos alertas

Subscreve as notificações do Polígrafo e recebe todos os nossos fact-checks no momento!

Em nome da verdade

Segue o Polígrafo nas redes sociais. Pesquisa #jornalpoligrafo para encontrares as nossas publicações.
Falso
International Fact-Checking Network