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Reino Unido alerta que “jovens vacinados estão a morrer em números sem precedentes”?

Sociedade
O que está em causa?
Diz-se nas redes sociais que o Governo do Reino Unido alertou que os "jovens vacinados estão a morrer em números sem precedentes". Confirma-se?
© Shutterstock

Circulam nas redes sociais várias publicações em que se alega que, no Reino Unido, existe um número alarmante de mortes de jovens vacinados contra a Covid-19.

“Governo do Reino Unido emite alerta terrível: Jovens vacinados estão a morrer em números sem precedentes”, lê-se, por exemplo, num post partilhado na rede social X.

A maioria destas publicações cita um texto publicado na página “The People’s Voice” em que se lê ainda que “as pessoas com idades compreendidas entre os 18 e os 39 anos que receberam quatro vacinas contra a Covid têm até 318% mais probabilidades de morrer do que as que não receberam as vacinas experimentais”. Mas estas alegações têm fundamento?

O Governo britânico emitiu um alerta sobre um número de mortes “sem precedentes” de jovens vacinados contra a Covid-19?

Não, o governo do Reino Unido não emitiu um alerta a dar conta de que os jovens vacinados contra a Covid-19 estariam a morrer “em números sem precedentes”.

O alegado (e falso) aviso não consta de nenhum documento ou comunicado do governo, não foi emitido por nenhuma fonte oficial, nem foi noticiado por nenhum órgão de comunicação social credível.

Esta tese tem origem no site “The People’s Voice”, uma página dedicada à disseminação de informações falsas (fake news) ou descontextualizadas (anteriormente conhecida como “News Punch”), cujos conteúdos já foram, várias vezes, verificados e desmentidos por diferentes jornais de fact-checking (exemplos aqui, aqui e aqui).

Neste texto do “The People’s Voice”, os autores recorrem a omissões e a extrapolações dos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas britânico para sustentar uma narrativa falsa sobre a segurança das vacinas contra a Covid-19.

Por exemplo, tal como sublinha o jornal de fact-checking espanhol “Maldita”, omitem que a “taxa de mortalidade dos jovens com duas e três doses é inferior à dos jovens não vacinados no Reino Unido”.

Além disso, lembra o médico e doutorado em Epidemiologia e Saúde Pública Mario Fontán ao mesmo jornal, é injustocomparar jovens com quatro doses de vacina contra a Covid-19 com pessoas das mesmas idades que não foram vacinadas.

Isto porque “os jovens vacinados com mais de três doses tendem a ter uma doença subjacente com maior risco de morte, como os doentes autoimunes e os doentes com cancro”, ao mesmo tempo que “as pessoas com idades compreendidas entre os 18 e os 39 anos são as que apresentam menor risco de morte devido à Covid-19”.

Ou seja, o maior risco de morte dos jovens vacinados com mais do que três doses estará relacionado com os problemas de saúde que já existiam e não com a vacinação em si.

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Avaliação do Polígrafo:

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