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Registaram-se menos nove milhões de consultas no SNS em 2020 face ao período homólogo de 2019?

Sociedade
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
"Nove milhões de consultas em atraso", denuncia-se em publicação do partido Aliança no Facebook, datada de 13 de dezembro, com uma imagem do primeiro-ministro António Costa ao lado da ministra da Saúde, Marta Temido. Verdade ou falsidade?

A mensagem é simples e direta: “Nove milhões de consultas em atraso“. Remete para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e presume-se que se trata de consultas em atraso durante o ano de 2020, marcado pela pandemia de Covid-19.

O número destacado na publicação do partido Aliança está correto?

De acordo com dados dados divulgados pelo “Movimento Saúde em Dia“, criado pela pela Ordem dos Médicos e pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, em parceria com a empresa farmacêutica Roche, registaram-se “menos nove milhões de contactos presenciais médicos e de enfermagem nos centros de saúde” nos primeiros 10 meses de 2020 face ao período homólogo de 2019.

Nos hospitais verificou-se uma redução de 1,1 milhões de contactos presenciais nas consultas externas, 112 mil nas cirurgias e 1,4 milhões nos episódios de urgências, o que perfaz uma quebra de 2,7 milhões face ao ano anterior. O dados precisam ainda uma redução de “18% nas primeiras consultas”, “21% de cirurgias programadas”, “10% de cirurgias urgentes” e “27% de episódios atendidos nas urgências” em relação ao período homólogo.

A realização de rastreios foi igualmente afetada. “Nos primeiros 10 meses deste ano terão ficado por fazer 119 mil mamografias, 81 mil rastreios do cólon e reto e 99 mil colpocitologias”, informa a mesma fonte.

As conclusões do estudo “Acesso a cuidados de saúde em tempos de pandemia”, da responsabilidade da GFK Metris e promovido pelo mesmo movimento, indicam que “mais de metade da população portuguesa (57%) considera que a pandemia de Covid-19 dificultou o acesso a cuidados de saúde“, sendo a população mais idosa e os doentes crónicos quem mais manifesta essa dificuldade.

Durante a pandemia, “692 mil portugueses não realizaram uma consulta médica que estava marcada”. A quase totalidade dessas consultas “foram canceladas pelos serviços/hospital“. Metade dos doentes concordou com o cancelamento “porque diminuiu o risco de saúde associado”.

Quanto ao acesso aos cuidados de saúde, dos 664 mil portugueses que se sentiram doentes durante a pandemia, apenas 454 mil recorreram a cuidados de saúde (69%), enquanto que 210 mil optaram por não se dirigir a unidades de saúde (31%). Desses 210 mil, 38% tinham 65 ou mais anos de idade.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Verdadeiro” ou “Maioritariamente Verdadeiro” nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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