"Refugiados já têm emprego e casas oferecidas, enquanto milhares de portugueses passam fome", destaca-se no título de uma suposta notícia que circula nas redes sociais como se fosse verdadeira. "Em poucos dias, um conjunto de refugiados já começou a trabalhar em várias empresas, tendo também casas oferecidas por Portugal", reforça-se no subtítulo.

"Os refugiados estão se sentindo muito bem em Portugal, contudo muitos portugueses se sentem injustiçados por sentirem que está existindo discriminação contra eles nesse momento", lê-se no texto da publicação. "Segundo informa o site 'Notícias ao Minuto', um conjunto de refugiados, que chegou há menos de uma semana a Portugal, já têm garantidos uma casa com três quartos, oferecida pelo Governo português para os próximos dois anos, e trabalho em várias empresas multinacionais, que normalmente não estão contratando devido à crise que ainda existe".

Esta publicação é verdadeira ou falsa? Verificação de factos.

Aparentemente, a publicação baseia-se num artigo de 2015 da página "Notícias ao Minuto", com o seguinte título: "Família de refugiados sírios já tem casa e emprego em Ovar". Nesse artigo informa-se que "a União das Juntas de Freguesia de Ovar convidou uma das primeiras famílias sírias, que chegaram a Portugal, para viver na cidade, oferecendo emprego e casa. (…) Ali Mustafa Alkhamis e Nada, pais de três meninas - Dymas, Inas e Rhymas - vão trabalhar numa empresa multinacional, que lhes ofereceu emprego, e a oportunidade de viver numa casa com três quartos, oferecida por um período de dois anos".

Mas esta é apenas a base de verdade de uma evidente fake news que introduz toda uma série de comentários opinativos e inventados por entre alguns factos verdadeiros que foram cirurgicamente escolhidos (e extrapolados) a partir do referido artigo de 2015.

Tanto no título - "enquanto milhares de portugueses passam fome" - como no texto - "muitos portugueses se sentem injustiçados por sentirem que está existindo discriminação contra eles nesse momento" -, há frases sem qualquer tipo de sustentação factual. E sem qualquer referência no artigo que serve de fonte à publicação.

Outro elemento a ter em conta é a linguagem utilizada, a qual parece resultar de um programa de tradução automática com fraca qualidade (um dos principais sinais de alerta no que concerne à identificação de fake news).

Mais, a fotografia inserida na publicação não foi captada em Portugal. Através da aplicação TinEye apurámos que se trata de uma fotografia publicada em vários jornais europeus, sobretudo em 2015, retratando um conjunto de refugiados na fronteira entre a Áustria e a Hungria. Ou seja, é mais um elemento de logro e manipulação do leitor.

Em suma, trata-se de uma fake news que reproduz desinformação.

Avaliação do Polígrafo:

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