"Os tradutores e intérpretes que trabalharam connosco têm o direito de trazer uma esposa, no caso de haver mais do que uma, como acontece, por vezes, no Afeganistão", declarou o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, em entrevista à RTP, no dia 25 de agosto. Ou seja, no caso das famílias poligâmicas, os homens casados com várias mulheres apenas podem trazer uma delas. Cravinho justificou esta posição indicando que o Governo seguiu critérios discutidos no âmbito da NATO.

No dia seguinte, em entrevista à SIC Notícias, o ministro da Defesa Nacional assegurou que Portugal mantém essa posição, ainda que não exista nenhum caso entre os refugiados afegãos que já chegaram a Portugal. Cravinho sublinhou também que, perante a complexa operação de resgate em curso, essa questão era "perfeitamente secundária no quadro da emergência com a qual estamos a lidar" e de natureza "puramente filosófica e teórica".

Também a ministra de Estado e da Presidência foi questionada sobre esta matéria. Mariana Vieira da Silva afirmou que o Governo segue os "critérios que existem para o acolhimento familiar", mas não respondeu diretamente à questão. "Não sei dizer em concreto, sei dizer que há homens, mulheres, crianças de diferentes idades, crianças muito pequenas e aquilo que é preciso agora é concentrar-nos nas respostas a todas estas pessoas", disse Vieira da Silva.

Ao Polígrafo, fonte do Ministério da Defesa Nacional confirma que "tiveram de ser estabelecidos critérios, por mais sensíveis que fossem, para conseguir retirar as pessoas que constavam nas listas prioritárias do Governo português. Portugal adoptou esses critérios: um cônjuge e os filhos até aos 21 anos".

Questionado sobre a retirada de outras mulheres, caso existissem, o Ministério da Defesa Nacional indica que, no caso de Portugal, "não havia casos de famílias poligâmicas na lista prioritária por isso essa questão não se colocou". Além disso, "no meio de um cenário de urgência imediata, em que era necessário aproveitar uma curta janela de oportunidade para retirar as pessoas, os militares portugueses fizeram tudo o que era possível".

Em declarações ao jornal "Observador", fonte oficial da NATO garantiu que os Estados-membros têm autonomia para adoptar as respetivas políticas de acolhimento: "A NATO, enquanto organização internacional, não concede asilo nem aprova pedidos de visto. As decisões sobre acolhimento dizem respeito às nações individualmente, mas a NATO faz todos os possíveis para a ajudar a facilitar esses processos".

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