“Palavras, leva-as o vento”, pode ler-se numa publicação feita pelo partido Iniciativa Liberal (IL) nas suas redes sociais. A frase, que significa que o que é dito facilmente se esquece, remete para uma alegada promessa do Governo, feita pelo ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, de que o plano de reestruturação da TAP não se iria esquecer das rotas do Porto. 

Mas, na mensagem partilhada, a IL acusa o Governo de não ter cumprido com o anunciado, tendo deixado a cidade à margem do documento estratégico. “Porto volta a ficar de fora dos planos de retoma da TAP”, escreve o partido. A afirmação é ilustrada com uma fotografia do primeiro-ministro. António Costa. 

TAP

Será esta acusação verdadeira ou falsa? 

A Iniciativa Liberal usa como referência uma notícia do “ECO” de 8 de setembro, na qual se relata que, em declarações sobre a TAP feitas à "RTP", o ministro das Infraestruturas e da Habitação afirmou que o Governo tem “uma grande preocupação com a cobertura do território”, assinalando que “Porto e Algarve não são estranhos" nessa estratégia. Ainda que o Pedro Nuno Santos não tenha usado especificamente a expressão “esquecer-se do Porto”, a sua intenção seria a de sublinhar que não só a cidade como a região do Algarve estariam incluídas no planeamento de rotas. 

Seis dias depois, como se vê na imagem partilhada pela IL, o "Observador" publica uma notícia que afirmava que o Porto tinha ficado de fora dos planos de retoma da TAP. De acordo com o jornal online, nesta planificação estaria prevista a reposição de voos e criação de novas rotas, mas a quase totalidade destas seria a partir do Aeroporto de Lisboa. O Porto teria apenas uma nova rota no próximo verão.

Estes planos foram oficialmente anunciados pela transportadora portuguesa em dois comunicados de imprensa, um relativo à retoma das rotas e o outro relativo à abertura de novas ligações. “Brasília, Natal, Porto Alegre e o novo destino no Brasil, Maceió, ficam disponíveis para viagens a partir de outubro. Todos eles com dois voos por semana. Nos Estados Unidos, Chicago e São Francisco são as cidades que voltam a estar ligadas a Lisboa”, pode ler-se no primeiro comunicado. 

No entanto, após a polémica, a empresa garantiu que “não anunciou ainda o total da sua operação para o verão de 2021”, uma vez que “a companhia tem vindo a repor gradualmente a sua operação, mas a recuperação é lenta”. 

Assim, é verdadeiro que o Porto não é referido no primeiro anúncio de retoma de voos e abertura de novas rotas. No entanto, a empresa garantiu que estes dois processos ainda não estão concluídos. 

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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