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Rapper brasileiro Oruam provocou desacatos com guardas da GNR e foi detido no Algarve?

Sociedade
O que está em causa?
Está a ser partilhado nas redes sociais um vídeo que supostamente mostra o rapper brasileiro Oruam a ser preso por guardas da GNR, no Algarve, por ter causado desacatos. "O filho de um dos maiores traficantes da América Latina não respeita as autoridades portuguesas, André Ventura esteve sempre certo", sublinha-se. Verdadeiro ou falso?

Nos últimos dias tem circulado um clip de vídeo nas redes sociais, com epicentro no X/Twitter, com imagens que terão sido captadas no Algarve e supostamente revelam “desacatos” provocados por um rapper brasileiro, Oruam. Diz-se que não é a primeira vez que isso acontece e que levou mesmo à detenção do visado por militares da Guarda Nacional Republicana (GNR), momento alegadamente registado no vídeo.

“No Algarve, rapper brasileiro Oruam cria novamente desacatos com guardas da GNR e é detido. O filho de um dos maiores traficantes da América Latina não respeita as autoridades portuguesas, André Ventura esteve sempre certo”, descreve-se num tweet que partilha o vídeo em causa, ao som da música “Avisa lá” dos rappers MC Kelvinho, MC Hariel, MC Ryan SP, MC Neguinho do Kaxeta, MC Daniel e Kyan.

Nos comentários à publicação alega-se que o artista iria atuar na discoteca Lick, no Algarve, mas tal não aconteceu por motivos “de força maior”, segundo comunicado divulgado pelo espaço de diversão noturna.

Mas será que a história está bem contada?

O comunicado emitido no dia 23 de junho pela discoteca Lick indicava-se que os referidos “motivos de força maior” eram desconhecidos. tendo sido apresentado um pedido de desculpas público “por uma situação completamente fora do controlo” do espaço.

“Continuamos a aguardar esclarecimento público por parte do artista, assim como disponibilidade de remarcação de nova data”, informou.

O esclarecimento – pouco detalhado – surgiu através de stories publicados na página de Instagram do artista: “Impedido de fazer meu show pela polícia. Será que eles me odeiam?”

Contactada pelo Polígrafo, a GNR informou que o músico brasileiro não foi nem detido, nem houve desacatos, nem foi impedido de realizar o seu espetáculo. “A verdade é que circulava num veículo com outros acompanhantes e foi dada uma ordem de paragem para fiscalização”, garantiu a GNR.

A GNR rejeitou também que tenham ocorrido “agressões ou desacatos”, assegurou que se tratou de uma “fiscalização normal e aleatória em que o veículo e ocupantes foram fiscalizados como muitos outros”.

No âmbito da operação de fiscalização foi detetado produto estupefaciente no carro “que não era do indivíduo”, ressalvou a GNR. E nesse âmbito “foi levantado um auto de contraordenação, mas não ao músico”.

O rappernão foi identificado, nem detido, nem muito menos impossibilitado de sair do local para se deslocar onde assim lhe aprouvesse”, acrescentou em esclarecimento ao Polígrafo.

Quanto aos estupefacientes identificados, a GNR indicou que era uma dose reduzida, “de consumo apenas, que nem tão pouco havia situação criminal”.

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Avaliação do Polígrafo:

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