"Rainha Isabel II testou positivo para a Covid-19 e está tomando Ivermectina? Não era o remédio proibido? Não era 'ineficaz'?" Esta é a mensagem de uma das publicações que mais se espalharam nas redes sociais do Brasil, difundindo o rumor (falso) de que a rainha de Inglaterra estará a tomar Ivermectina para tratar a infeção por Covid-19.

Na origem do rumor encontramos uma reportagem emitida no programa "A Current Affair", da estação de televisão australiana Channel 9. Após ter sido noticiado, a 20 de fevereiro, que a rainha de Inglaterra testou positivo à Covid-19, a reportagem do Channel 9 (na noite de 21 de fevereiro) incidia sobre possíveis formas de tratamento adequadas ao perfil de risco (devido à idade) de Isabel II.

"Pessoas na faixa dos 90 anos estão em significativo perigo de terem desfechos negativos", afirmou Mukesh Haikerwal, médico britânico-australiano que trabalha em Melbourne, no decurso da reportagem.

"Na sequência, o repórter diz que, segundo Haikerwal, pacientes com a idade da rainha podem beneficiar de novos medicamentos aprovados para pacientes de alto risco. Nesse trecho, imagens de dois medicamentos, entre eles o Stromectol - cujo princípio ativo é a Ivermectina -, são mostradas para ilustrar a narração do repórter. No entanto, nem o repórter, nem o médico afirmam que aqueles são os medicamentos que estão a ser utilizados no tratamento de Isabel II", segundo apurou a Agência Lupa, plataforma brasileira de fact-checking, que teve acesso ao vídeo da reportagem (entretanto apagado do site do Channel 9).

Perante a difusão quase instantânea do rumor, o próprio Haikerwal, logo no dia 21 de fevereiro, publicou uma mensagem no Twitter a avisar que as imagens em causa foram "inseridas inadvertidamente" na reportagem e que seriam prontamente removidas nesse mesmo dia. De resto, o médico remeteu para a lista de medicamentos que estão autorizados para utilização no tratamento da Covid-19 na Austrália. Ora, a Ivermectina não consta dessa lista.

No dia 22 de fevereiro, o Channel 9 emitiu também um comunicado que passamos a citar: "A nossa reportagem de ontem à noite sobre a rainha continha um plano que não deveria ter sido incluído. O plano foi incluído como resultado de um erro humano. Queríamos destacar um medicamento aprovado, denominado como Sotrovimab, e acidentalmente foi incluída na reportagem uma imagem de Stromectol, um produto que contém Ivermectina. No programa fizemos várias reportagens destacando as preocupações em torno da utilização da Ivermectina como tratamento para a Covid-19. Não quisemos sugerir que o doutor Mukesh Haikerwal aconselha a Ivermectina."

Recorde-se que, em março de 2021, a EMA publicou um esclarecimento no sentido de desaconselhar a utilização de Ivermectina para a prevenção ou tratamento da Covid-19.

Nesse comunicado, a EMA informou que "estudos de laboratório descobriram que a Ivermectina pode bloquear a replicação do SARS-CoV-2 (o vírus que causa a Covid-19), mas em concentrações de Ivermectina muito mais altas do que as alcançadas com as doses atualmente autorizadas".

Por isso, "os medicamentos com Ivermectina não estão autorizados para utilização contra a Covid-19 na União Europeia e a EMA não recebeu nenhum pedido para tal utilização".

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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