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“Radares torre” que apanham quem vai ao telemóvel ou sem cinto já atuam em Portugal?

Sociedade
O que está em causa?
No Facebook denuncia-se a “próxima prioridade socialista para sacar dinheiro de multas”. Em causa estão aparelhos denominados “radares torre” capazes de identificar condutores que se encontrem a falar ao telemóvel ou sem cinto de segurança. Estes já se encontram em funcionamento em França desde 2019, mas estarão a caminho de Portugal?

“A nova próxima prioridade socialista para sacar dinheiro de multas? Chamam-se ‘radares torree apanham quem vai ao telemóvel, sem cinto de segurança, crianças mal sentadas e conseguem controlar várias vias e vários carros em simultâneo”, começa por destacar um “post” publicado no Facebeook a 27 de junho.

A publicação continua: “Depois dos radares de velocidade média, estes novos equipamentos detectam irregularidades dentro do veículo, do uso do telemóvel ao cinto de segurança. Que se lixe se a infracção e a falha de segurança rodoviária continuam depois da passagem pelo radar… O importante é aumentar a receita do Estado.”

Será assim?

De facto, estes aparelhos existem. Estão a ser usados desde 2019 não em Portugal, mas sim em França. Segundo noticiou a cadeia de rádio francesa France Info, estes novos radares mais eficientes viriam substituir a maioria dos radares destruídos durante o protesto dos “coletes amarelos”, um movimento contra o aumento dos preços dos combustíveis que deu azo à realização de grandes manifestações em outubro de 2018.

O objetivo do governo francês era tornar estes aparelhos – comercializados pela empresa de segurança digital francesa Idemia sob o nome “Mesta Fusion 2” – mais difíceis de destruir. Além do excesso de velocidade em função do tipo de veículo, o também denominado “radar multifuncional” tem um leque de capacidades mais abrangente que os antecessores, nomeadamente a vigilância da utilização de cintos de segurança ou o uso de telemóvel ao volante, como indicado na publicação.

De resto é ainda possível monitorizar a distância de segurança, a passagem por um semáforo vermelho ou até ultrapassagens executadas pela direita.

Até ao final de 2020, já tinham sido instalados em França cerca de 1.200 destes radares colocados a quatro metros de altura (tornando-se também por isso mais difíceis de alcançar e destruir).

E em Portugal, como é?

Não há qualquer indicação de que esta geração de radares esteja em vias de rumar a Portugal. O Polígrafo contactou a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), que garante que “o equipamento em apreço não se encontra aprovado pela ANSR para utilização em Portugal (…) nem há qualquer projeto ou estudo nesse sentido”.

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Avaliação do Polígrafo:

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