Do título - "Quem recusar ser vacinado e apanhar Covid-19 paga o tratamento" - avança-se para o texto e lemos que "se está a pensar recusar ser vacinado contra a Covid-19, saiba que está em estudo uma proposta para ser aplicada a cobrança do tratamento em caso de vir a ficar infetado com a doença, pelo menos em San Marino!"

Sem qualquer referência geográfica, mas escrito em língua portuguesa, parece tratar-se de Portugal. Daí que este artigo tenha sido denunciado por vários leitores como sendo fake news, em partilhas no Facebook.

"Assim, quem rejeitar a toma da vacina, vai ter que pagar o tratamento à doença. Uma possibilidade que está a ser estudada pelo Governo de São Marino, e que foi divulgada pelo secretário de Estado da Saúde, Roberto Ciavatta", acrescenta-se no texto. "Claro que a proposta não afetará todos os que são impossibilitados de serem vacinados (por motivos de saúde ou outras limitações). 'Se alguém escolher não tomar, em vez de fazer parte da categoria de cidadãos excluídos, por exemplo pessoas alérgicas, deverá pagar pelo tratamento', disse. Acredita-se que outros governos possam estar a pensar tomar medidas idênticas, devido ao esforço financeiro que está a ser feito para trazer as vacinas".

É um exemplo paradigmático de clickbait enganador.

Relativamente a San Marino, esta história surgiu em alguns jornais europeus. No italiano "L'Unione Sarda", por exemplo, num artigo de 14 de dezembro informou-se que "em San Marino, os cidadãos que optarem por não tomar a vacina contra o novo coronavírus quando estiver disponível, gratuita mas não obrigatória, se depois ficarem doentes terão que pagar o tratamento dos seus próprios bolsos".

"O secretário de Estado Roberto Ciavatta propôs, o Governo de San Marino está a ponderar seriamente e deverá tomar em breve uma decisão sobre a matéria", lê-se na mesma notícia.

Ou seja, ainda não está confirmado, embora o título da publicação sob análise aponte para uma decisão tomada e subsequente medida em vigor.

Ciavatta declarou que "os especialistas da comissão de vacinas do Instituto de Segurança Social concordaram. A vacina em San Marino será gratuita e estará disponível para a população e se você decidir não a tomar - por opção e não por fazer parte de categorias excluídas, tais como pessoas com alergias ou por causa de outros motivos de saúde -, então terá que pagar pelo tratamento para qualquer contágio".

Os cuidados de saúde na "Sereníssima República" da Península Itálica são totalmente gratuitos. A confirmar-se esta penalização para quem não tomar a vacina contra a Covid-19 por opção pessoal, não será a primeira iniciativa nesse sentido em San Marino, na medida em que os pais de crianças que não são vacinadas estão obrigados por lei a obterem seguros para eventuais danos causados a terceiros.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

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