“Quem melhor para ministro das Finanças do que Fernando Medina? Fazer uma estrada e deixar a mesma a um metro e meio abaixo no nível das portas da rua!”, afirma-se num post no Facebook, não sendo identificado com precisão o local ou a data em que a imagem que o acompanha foi captada.

Mas a notícia da presença deste desnível na capital não é exatamente novidade. Em agosto de 2021, ainda durante o mandato de Fernando Medina na Câmara Municipal de Lisboa (CML), noticiava-se que obras de requalificação na Calçada da Ajuda resultaram num insólito desnível entre as portas de cinco habitações e a estrada e passeio, sem sequer existirem degraus de acesso às casas.

Foi através de um vídeo colocado a circular nas redes sociais que o caso se tornou conhecido. No dia 2 de agosto, a Rádio Renascença questionou Jorge Marques, presidente da Junta de Freguesia da Ajuda, que em resposta indicou que a obra não estava concluída e que seria criado “um acesso ao nível do pavimento”.

Mas, quase dois anos depois, será que este desnível já foi corrigido?

Recorrendo ao Google Maps, é possível verificar que, em setembro de 2022 (data da última captura de imagens), ainda não havia qualquer sinal de correção do referido desnível.

O Polígrafo contactou a Junta da Freguesia da Ajuda, que se recusou a prestar declarações sobre o caso. “Não sendo uma obra da responsabilidade da Junta de Freguesia nada temos a declarar”, indicou a autarquia remetendo mais esclarecimentos para a Associação de Turismo de Lisboa (ATL).

No mesmo sentido aponta a CML: “As obras em causa, de requalificação do espaço público na Calçada da Ajuda, são da responsabilidade da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) e da ATL e as habitações mencionadas são património da GNR”.

Contactada pelo Polígrafo, a ATL afirma que “realizou as obras na Calçada por incumbência da DGPC e da CML” e acrescenta que “o projeto realizado não incluía qualquer intervenção nas casas da GNR em questão, pelo que desconhecemos o ponto de situação”.

Por fim, o Polígrafo contactou a DGPC, mas não obteve qualquer resposta até à data de fecho do artigo.

Para dissipar qualquer dúvida, o Polígrafo deslocou-se ao local tendo confirmado que não foi executada qualquer obra para correção do desnível.

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