A discussão desta quinta-feira na Assembleia da República (AR) debruçou-se na política familiar e de natalidade, com foco nas medidas fiscais e da Segurança Social (SS) que possam contribuir para o aumento do número de filhos nas famílias. Durante a sua intervenção, o deputado Miguel Costa Matos, do Partido Socialista (PS), alegou que, quando o PS deixou o Governo, os salários cresciam mais do que agora com o Governo da AD, defendendo que salários mais altos são essenciais para dar mais segurança aos portugueses para ter filhos.
“Ainda ontem tivemos uma novidade importante: o crescimento dos salários em Portugal está a abrandar. Quando o PS deixou o Governo, as remunerações nas empresas cresciam 12%. Agora, com a AD a governar, crescem apenas 7% e com a inflação a crescer. Se queremos uma politca de natalidade, precisamos de mais do que uma política fiscal. Precisamos de um choque salarial”, afirmou. Tem razão?
Contactado pelo Polígrafo, o deputado socialista explicou que recorreu às estatísticas divulgadas pelo INE na última semana relativas às Contas Nacionais Trimestrais por Setor Institucional.
Entre o segundo trimestre de 2023 e o primeiro trimestre de 2024, último ano completo cargo do PS (o Executivo de Montenegro tomou posse no dia 2 de abril de 2024) os salários pagos pelas sociedades não financeiras aumentaram 12,4% face ao período homólogo do ano anterior. Já no primeiro trimestre de 2026 o aumento (fazendo exatamente as mesmas contas) foi de 6,9% face ao “ano” anterior.
Mesmo o crescimento isolado por trimestre (face ao período homólogo) está a abrandar com o Governo AD. No primeiro trimestre de 2024 registava-se um aumento de 9,9% face ao mesmo trimestre do ano anterior. Já no primeiro trimestre de 2026, face ao mesmo período de 2025, o crescimento foi de apenas 6,5%.
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