O primeiro jornal português
de Fact-Checking

“Quando era homem não ganhava nada”, diz Ventura sobre atleta trans que venceu oito troféus no feminino. É verdade?

Sociedade
O que está em causa?
Líder do Chega denuncia situação que considera injusta na sua conta pessoal de Twitter. Em causa Valentina Petrillo, uma atleta paralímpica e trans que terá conquistado oito títulos italianos desde a transição. "Quando era homem não ganhava nada", garanta Ventura. Verdade ou mentira?

Quando era homem não ganhava nada. Mudou de sexo e agora ganha os títulos todos nas competições femininas. Isto faz algum sentido? O mundo estará a ficar louco?”, questionou esta quarta-feira, 12 de julho, André Ventura, num “tweet” polémico que acabou por ser desmentido por vários utilizadores daquela rede social. A atleta em questão é Valentina Petrillo, de 49 anos, que compete nas categorias sprint de 100, 200 e 400 metros para invisuais.

[twitter url=”https://twitter.com/AndreCVentura/status/1678928425552150529″/]

De acordo com um artigo sobre Petrillo, publicado a 4 de junho de 2021 pela BBC, a atleta foi diagnosticada aos 14 anos com a doença de Stargardt, uma condição ocular degenerativa para a qual não há cura. Aos 20 anos, Petrillo mudou-se para Bolonha para estudar Ciências da Computação no Instituto para Cegos e foi nessa altura que o desporto voltou à sua vida e que a Petrillo se tornou membro da equipa nacional de futebol da Itália para pessoas invisuais.

“Foi apenas aos 41 anos que ela finalmente começou a correr novamente, tendo conquistado 11 títulos nacionais em três anos na categoria T12 masculina para atletas com deficiência visual“, escreve a “BBC” no artigo de 2021. O “tweet” de André Ventura transmite, por isso, informação falsa sobre Petrillo. Em 2018, Petrillo anunciou à família que ia começar a viver como uma mulher e, em janeiro de 2019, começou a terapia hormonal e respetiva transição.

Ainda segundo a reportagem da “BBC”, foi apenas em setembro de 2020 que Petrillo correu pela primeira vez enquanto atleta paralímpica feminina – no Campeonato Paralímpico Italiano – onde ganhou medalha de ouro nas categorias de 100m, 200m e 400m em T12.

Mais importante ainda, a “BBC” refere que a terapia hormonal para mulheres trans é feita com o objetivo de diminuir os níveis de testosterona e elevar os níveis de estrogénio para os valores típicos em mulheres. Assim, desde 2015, o “Comité Olímpico Internacional (COI) exige que as atletas do sexo feminino tenham menos de cinco ‘nanomoles’ de testosterona por litro de sangue, enquanto a maioria das mulheres tem menos de dois nanomoles por litro”.

__________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque