"Vejam a diferença. Até 2015 ambos estiveram sujeitos à Troika, mas a Irlanda não é governada por socialistas", comenta-se num post de 23 de janeiro no Facebook, apontando para um quadro comparativo entre Portugal e Irlanda.

O quadro tem dados sobre cinco indicadores: imposto sobre os lucros, taxa marginal de IRS (salário mensal líquido de 1.500 euros), ranking de liberdade económica, crescimento económico (2016-2018) e salário médio (2017).

Na publicação não se indica a data do quadro ou dos respetivos dados, nem a fonte de informação. No quadro há a referência temporal a "cinco anos depois da 'Troika'" mas os dados sobre o salário médio, por exemplo, remontam a 2017.

Na realidade, o quadro tem origem numa publicação de 13 de dezembro de 2018 do partido Iniciativa Liberal (IL) na sua página oficial no Facebook.

Nessa altura, a comparação gerou dúvidas, nomeadamente em relação ao indicador do imposto sobre os lucros, no qual se indicava 12,5% na Irlanda - o que se confirma, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) - e 31,5% em Portugal.

Em resposta a vários comentários, o IL justificou então os 31,5% inscritos no quadro: "São 21% de IRC + 1,5% de derrama municipal + 9,0% de derrama estadual (para empresas com lucros acima de 25 milhões)".

Aliás, posteriormente, no dia 23 de maio de 2019, o IL republicou o mesmo gráfico, mas acrescentando a informação de que o indicador do imposto sobre os lucros consiste no IRC máximo somado às derramas. Identificou também a OCDE e a Heritage Foundation como fontes de informação.

Quanto aos outros indicadores, as percentagens da taxa marginal de IRS estão corretas (pode conferir aqui), assim como as posições no ranking de liberdade económica - referentes a 2018, ano em que o quadro foi publicado pela primeira vez (confira aqui e aqui).

Já no que diz respeito ao crescimento económico, a percentagem de 6% estaria correta se se tivesse em conta apenas os anos de 2016 (2%) e 2017 (3,5%). Incluindo os 2,4% (inicialmente estimados em 2,1%) de 2018, a percentagem seria antes de 7,9%. A informação detalhada consta na base das Contas Nacionais Portuguesas revista em 2019 pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

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