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Putin ordenou a execução de “450 criminosos da Covid-19”?

Internacional
O que está em causa?
Circulam no Facebook publicações em que se alega que o presidente russo Vladimir Putin terá proibido a administração e investigação de vacinas contra a Covid-19 e mandado executar os "450 criminosos" que teriam violado essa suposta proibição. É verdade?
© EPA

Alega-se no Facebook, em várias publicações escritas em diferentes línguas, que o presidente russo Vladimir Putin terá ordenado “a execução em massa de 450 criminosos da Covid-19 que o Exército Russo capturou e prendeu”, ao abrigo de um suposto “decreto de março de 2023” que proibiria a administração e investigação de vacinas contra a Covid-19 em solo russo.

Segundo estes posts, um suposto agente do Serviço Federal de Segurança da Federação Russa, Andrei Zakharov, teria adiantado ao site “Real Raw News” que “inúmeros profissionais de saúde e pesquisadores na Rússia optaram por ignorar as ordens de Putin, promovendo clandestinamente novas vacinas”.

Mas serão estas alegações factuais? Putin proibiu mesmo a administração e a investigação de vacinas contra a Covid-19 e mandou executar quem violou esta alegada proibição?

É verdade que Putin ordenou a execução de “450 criminosos da Covid-19”?

Não. Não há nenhuma fonte oficial, nem nenhum órgão de comunicação social credível que tenha revelado que Vladimir Putin teria assinado um decreto a proibir a administração e investigação de vacinas contra a Covid-19 ou indicado que, na sequência dessa proibição, o presidente russo teria ordenado a execução de 450 pessoas.

Esta alegação falsa nasceu no “Real Raw News”, um site conhecido por ser um veículo de partilha de desinformação e pelos seus títulos sensacionalistas e descontextualizados.

Tal como se explica neste artigo publicado no site do Poynter Institute em 2021, o “Real Raw News” não é um órgão de comunicação social credível, mas sim um site que “publica regularmente histórias fantasiosas e falsas com títulos feitos para se tornarem virais”.

Aliás, ao contrário do que acontece habitualmente nos jornais online de referência, na secção “sobre nós” do “Real Raw News”, encontra-se um aviso a sublinhar que este site “contém humor, paródia e sátira”, assinalando-se ainda que esta mesma nota foi publicada para “proteção” dos seus autores por “recomendação jurídica”.

Noutro plano, tal como aponta o jornal de fact-checking irlandês “Logically Facts”, nenhum militar com o nome Andrei Zakharov “fez comentários a qualquer outro meio de informação”, e a referência ao suposto agente só aparece em páginas dedicadas à difusão de desinformação.

Esta não é a primeira vez que o “Real Raw News” publica informação falsa relacionada com a Covid-19 e o presidente russo.

A título de exemplo, em março de 2023, a agência de notícias “Associated Press” desmontou uma publicação falsa, que circulava nas redes sociais, em que se alegava que Putin teria ordenado a destruição “de todas as reservas de vacinas contra a Covid-19”.

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Avaliação do Polígrafo:

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