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Publicação que pede ajuda para encontrar dono de cadela atropelada é autêntica?

Geração V
O que está em causa?
Na rede social Facebook, está a circular uma publicação viral de um alegado atropelamento e fuga de uma cadela. Será a alegação legítima?

Na descrição da publicação lê-se: “Procuro desesperadamente o dono desta menina. Encontrei-a deitada à beira da estrada em Fort Smith. Foi atropelada por um carro que fugiu. Levei-a ao veterinário, não tem chip e sei que alguém está a procura dela. Ela sente falta da família, enquanto isso, continuarei a cuidar dela. Por favor, clique neste post para ajudar a encontrar o seu dono.” 

A “menina” de que fala a publicação é exibida em duas fotos que acompanham a alegação de um suposto pedido de ajuda. Trata-se de uma cadela, aparentemente da raça Border Collie, que teria sido atropelada. Quanto ao post, foi partilhado num grupo de vendas de garagem no dia 6 de maio.

Mas será que a publicação é legítima?

Através de uma pesquisa pela imagem, percebe-se que o mesmo suposto pedido de ajuda, juntamente com as suas imagens, foi feito num outro grupo, também de vendas de garagem, mas apenas com uma mudança de localização de Fort Smith, cidade no estado americano do Arkansas, para North Georgia, no estado da Geórgia, levantando assim suspeitas sobre a autenticidade do apelo. 

Nesta última publicação, feita dois dias depois, vários comentários alertam para um “esquema” e segundo a plataforma de fact-checking “Lead Stories”, confirma-se que se trata mesmo disso.

Os autores deste tipo de publicação aproveitam-se da fragilidade da matéria publicada – que pode recorrer a animais feridos, crianças ou idosos – para apelar à emoção e assim conseguirem chegar a mais pessoas garantindo que o post ganha mais visibilidade. 

A estratégia é chegar ao maior público possível para que depois a publicação possa ser editada e modificada para anunciar a venda ou arrendamento de imóveis. Assim, com as publicações já virais torna-se mais fácil publicitar as casas em questão. 

O site “Lead Stories”, refere ainda que este tipo de publicações são frequentes e que não passam de “golpes imobiliários“. Além disto, publicações como esta recorrem a links que levam a páginas muitas vezes com falsas promessas que solicitam informações de contato. Estas podem ser utilizadas como meio de recolha de dados pessoais, incluindo informação financeira.

Em suma, a informação que consta no post é falsa e faz parte de uma narrativa utilizada para que a publicação circule pelo maior número de pessoas possível com o objetivo de promover anúncios imobiliários.

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Geração V

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “Geração V – em nome da Verdade”, uma rede nacional de jovens fact-checkers. O projeto foi concretizado em parceria com a Fundação Porticus, que o financia. Os dados, informações ou pontos de vista expressos neste âmbito, são da responsabilidade dos autores, pessoas entrevistadas, editores e do próprio Polígrafo enquanto coordenador do projeto.

*Texto editado por Marta Ferreira.

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