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PSP partilhou fotografia de manifestação da extrema-direita para exemplificar trabalho de segurança?

Sociedade
O que está em causa?
Nos últimos meses multiplicaram-se os protestos levados a cabo por profissionais das forças de segurança, exigindo uma revisão dos suplementos remuneratórios. Já antes disso, muitas eram as associações feitas entre iniciativas levadas a cabo pelos seus profissionais e movimentos da extrema-direita. Uma nova publicação, feita pela PSP no Instagram, veio reavivar o debate.

“A nossa missão é garantir a sua segurança”: eis a afirmação que estaria a acompanhar uma publicação partilhada recentemente, no Instagram, pela Polícia de Segurança Pública (PSP), como exemplo do trabalho desempenhado pelos seus profissionais. Porém, a mesma gerou polémica nas redes sociais, tendo alguns utilizadores questionado a imagem – na qual se pode identificar o militante neonazi Mário Machado – utilizada para sustentar a mensagem.

“Mas que a missão das forças policiais tem sido, historicamente, proteger a extrema-direita já nós sabemos”, lê-se numa destas publicações, que critica ainda a PSP por ter escolhido “especificamente uma foto” de uma “manifestação” associada a movimentos dessa mesma ideologia “e fazerem disto bandeira de marketing”. E conclui, referindo que os polícias “já nem têm receio porque sabem que o discurso e os ideais já se normalizaram”.

Perante a acusação, importa questionar: confirma-se que a PSP partilhou uma fotografia de uma manifestação da extrema-direita para evidenciar o trabalho desempenhado em prol da “segurança” da população portuguesa?

De facto, imagens captadas pela CNN Portugal permitem concluir que a fotografia usada pela PSP na publicação polémica foi tirada no dia 3 de fevereiro deste ano, no centro de Lisboa, durante um protesto que reuniu uma centena de manifestantes de extrema-direita contra aquilo que afirmavam ser “a islamização da Europa”. Em causa uma iniciativa do grupo 1143, dirigido precisamente por Mário Machado.

Porém, essa mesma publicação foi, entretanto, eliminada. Em comunicado enviado às redações, a que o Polígrafo teve acesso, a PSP explicou que a remoção da publicação do Instagram “teve por objetivo não continuar a alimentar qualquer polémica”, na medida em que a sua “intenção” com tal iniciativa “foi apenas dar mais um exemplo dos inúmeros policiamentos que realizamos e que implicam a manutenção da ordem pública e a segurança de todos os cidadãos”.

Na mesma nota, citou “o princípio constitucionalmente previsto do direito à reunião e manifestação”, assegurando que “a prioridade da PSP é sempre no sentido de assegurar o normal desenvolvimento das ações de manifestação previstas, acompanhando, dialogando e facilitando as intervenções que se mostrem pacíficas, legais e legítimas, impedindo e não tolerando toda e qualquer ação que atente contra a Constituição e contra a Lei”.

Ao Polígrafo, fonte oficial desta força de segurança acrescentou ainda que “aquela fotografia foi escolhida” para acompanhar a publicação “como podia ter sido escolhida qualquer outra”, com vista a “ilustrar mais um exemplo do trabalho de manutenção da ordem pública” levado a cabo por esta autoridade. Porém, esta era “uma das fotografias mais recentes”, detidas pela PSP, capazes de retratar a operação de um “dispositivo de maior envergadura”.

A mesma fonte assegurou ainda que, se o protesto exibido na imagem “fosse conotado à extrema-esquerda”, e não à extrema-direita, como aconteceu neste caso, esta força de segurança “estaria igualmente presente” no local.

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Avaliação do Polígrafo:

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