Em entrevista ao jornal "Expresso", publicada esta sexta-feira (9 de fevereiro), Rui Rocha admitiu que o IL está preparado para integrar um Executivo com o PSD, mas isso não o inibiu de dar nota negativa ao PSD em alguns pontos. Quando questionado sobre a sua declaração, a 15 de janeiro, em que dizia que o PSD não tinha "ímpeto reformista", Rocha enumerou algumas das votações dos sociais-democratas que revelam, na sua perspetiva, isso mesmo.

"Basta dar alguns exemplos que têm a ver com esta legislatura que agora termina. Nós propusemos uma grande redução de IRS e o PSD votou contra", apontou o líder dos liberais.

Começando por esta primeira alegação, o Polígrafo contactou o IL e perguntou se Rocha estaria a referir-se a alguma proposta em particular. Em resposta foram apontadas cinco propostas de alteração que visavam o Código do IRS.

A primeira e segunda foram avançadas em 2020, no âmbito dos Orçamentos do Estado (OE) de 2020 e 2021, respectivamente, a terceira proposta visava o OE de 2022, a quarta o OE de 2023 e por fim, a última dizia respeito ao OE deste ano. Todas tiveram o voto contra do PSD.

De seguida, Rocha indicou que os liberais propuseram "uma reforma estrutural da saúde, dando liberdade de escolha às pessoas sobre o prestador que pretendem para acorrer àquilo que são os seus problemas e as suas necessidades de saúde", tendo também esta recebido o voto contra do PSD.

Trata-se do Projeto de Lei 859/XV/1 que "aprova a Lei de Bases do Sistema Universal de Acesso à Saúde, procedendo à revogação da Lei n.º 95/2019, de 4 de setembro". A proposta visava permitir "a escolha livre entre prestadores dos setores público, privado e social em concorrência leal", mas foi rejeitada com os votos contra do PS, PSD, PCP, BE, PAN e Livre, a abstenção do Chega e o partido proponente a ser o único a votar a favor.

Por fim, a proposta de "uma reforma do sistema eleitoral". De acordo com o líder dos liberais, a ambição era que não se repetisse "o que sucedeu nas últimas eleições, com 700 mil votos perdidos", mas também nesta, acusa Rocha, "o PSD votou contra".

E sim, confirma-se que os sociais-democratas votaram contra. Em causa o Projeto de Lei 940/XV/2 que "introduz um círculo de compensação nacional nas eleições legislativas", discutido e votado na generalidade no dia 15 de dezembro de 2023. O projeto foi rejeitado com o voto contra do PSD que alinhou com o PS e PCP, já a favor votaram o Chega, IL, BE, PAN e Livre.

Neste último caso, a justificação para o voto contra prende-se com o facto de o IL ter agendado o debate numa altura de pré-campanha eleitoral. O deputado social-democrata João Barbosa de Melo argumentou, no dia em que esta matéria foi discutida no Parlamento, que "o sistema eleitoral do país é um tema que precisa de reflexão séria e ponderada para que os partidos se centrem nos princípios e na qualidade das soluções sem ficarem reféns dos potenciais ganhos e perdas eleitorais das alterações que propõem".

Além disso, a ideia não é original do IL. Recuando a 2021, verifica-se que o PSD, então liderado por Rui Rio, já tinha apresentado uma proposta que visava a reforma do sistema eleitoral. Nessa altura, Rio acusava o PS de ser "um partido contrário à mudança, 'conservador', que não quer mudar nada, para revigorar a democracia".

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