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PSD e Luís Montenegro pediram a demissão de vários ministros durante polémicas nos Governos de António Costa?

Política
O que está em causa?
Montenegro não larga a mão de nenhum dos seus ministros e recusa mexer no Executivo mesmo depois das polémicas relacionadas com os exames nacionais, no ministério da Educação, e com possíveis crimes de abuso de poder e descaminho, no ministério da Administração Interna. No entanto, quando estava do lado da oposição, o social democrata e o PSD exigiram a António Costa a demissão de vários ministros.
© TIAGO PETINGA/LUSA

Numa altura em que o Executivo de Luís Montenegro soma algumas das polémicas mais complicadas da legislatura, com a demissão de Fernando Alexandre e Luís Neves a ser pedida pela oposição, o Primeiro-Ministro recusa mexer no Governo e garante que os ministros servem precisamente para “resolver problemas”. No entanto, durante os Governos liderados por António Costa, o PSD pediu em várias ocasiões a demissão de membros do Executivo, incluindo ministros envolvidos em crises políticas ou sob forte contestação.

Um dos casos foi o de Marta Temido. Em agosto de 2022, a então ministra da Saúde abandonava o Governo de António Costa depois de uma mulher de 34 anos, grávida de 31 semanas, morrer na sequência de uma paragem cardiorrespiratória de 17 minutos durante uma transferência de ambulância do Hospital de Santa Maria para o São Francisco Xavier. A transferência foi obrigatória uma vez que o Santa Maria não tinha vaga no Serviço de Neonatologia para internar o bebé, assim que se procedesse ao parto.

Não tendo sido a voz do PSD sobre o tema, Luís Montenegro comentou (a 2 de setembro) a demissão de Temido na sequência deste caso (que já tinha sido pedida pelo PSD noutras situações), deixando um alerta a António Costa: “São tudo indícios, infelizmente, de que temos um Governo hesitante, um Governo que não tem rumo, um Governo que não tem capacidade, nem vontade transformadora, nem reformista. Não é preciso ser dotado de grande capacidade para perceber que se a política continuar a mesma, os resultados vão ser iguais ou piores.”

Em junho de 2022, pela voz do líder parlamentar do partido, o PSD questionava: “O que é que é será mais preciso que aconteça para que, como até já foi pedido por pessoas do seu partido, o Primeiro-Ministro reconheça a responsabilidade política da ministra da Saúde e a substitua por incapacidade de gestão ou de promover reformas que mantenham o nível do SNS?” Paulo Mota Pinto dirigia-se ao Governo, em discussão na AR, e perguntava diretamente a António Costa se, afinal, a opção e a responsabilidade política eram do Primeiro-Ministro.

Já sob a liderança de Luís Montenegro, o PSD voltou a defender saídas do Governo. Em janeiro de 2023, Montenegro pediu a demissão do então ministro das Finanças, Fernando Medina, considerando que este tinha perdido “autoridade política” e se tornara um “peso morto no Governo”. O líder social-democrata afirmou mesmo que, se fosse Primeiro-Ministro, Medina deixaria o cargo.

Também João Galamba foi alvo de um pedido explícito de demissão por parte de Montenegro. Em plena polémica relacionada com a TAP e com a atuação dos serviços de informações, o presidente do PSD defendeu a saída imediata do então ministro das Infraestruturas, argumentando que estava em causa a “dignidade e a moralidade da política”. Mas não ficou por aí: numa conversa com o então Primeiro-Ministro pediu também a demissão da secretária-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), Maria da Graça Mira Gomes.

Com Fernando Alexandre, ministro da Educação, e Luís Neves, ministro da Administração Interna, ambos envolvidos em polémicas nas últimas semanas, Montenegro mantém uma posição bem mais relaxada e diz que os “ministros estão no Governo para resolver problemas” e não para se “esmorecerem quando eles aparecem”.

Perante os atrasos, falhas e polémicas relacionados com a correção dos exames nacionais, Montenegro foi questionado, a 13 de julho deste ano, sobre a confiança no ministro da Educação. A resposta foi: “Mas estaria em causa alguma vez a confiança que eu tenho nos ministros? Isso não é uma questão.”

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