Em clima de campanha, no período pré-autárquicas, têm sido várias as ações escrutinadas nas redes sociais, ora por tardarem ora por serem consideradas insólitas. Na madrugada da última segunda-feira, 16 de agosto, o "posto de comando do PSD Seixal (...) procedeu a uma ação concertada", com vista a começar "desde já a concretizar propostas aprovadas em Assembleia Municipal que o Executivo comunista nunca executou".

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Este feito, divulgado nas redes sociais da Concelhia através de um vídeo de 8 segundos, está relacionado com a alteração de cinco placas toponímicas do concelho. Por cima dos nomes atribuídos às ruas, foram colados papéis com novas propostas, de forma a homenagear figuras distintas e a assegurar a não repetição do nome de ruas no mesmo concelho.

Se a ação não fosse "meramente simbólica", como descreve ao Polígrafo Bruno Vasconcelos, candidato do PSD à Câmara Municipal do Seixal, o concelho teria por esta altura uma "Rua 25 de Novembro", em vez da duplicada "Rua 1º de Maio". Teria ainda uma "Rua Major-General Jaime Neves", em homenagem ao militar português, combatente da Guerra Colonial em Angola e Moçambique e participante confesso do Massacre de Wiriyamu, em detrimento de uma já existente "Rua General Humberto Delgado".

Quantos às ruas "Movimento das Forças Armadas", "Luís de Camões" e "Júlio Dinis", seriam substituídas, respetivamente, pela "Rua em memória das vítimas das FP-25 Abril", "Rua Manuel Maria Barbosa du Bocage" e "Rua Pedro Eanes de Lobato". A intenção era, refere o PSD/Seixal na publicação em causa, pôr fim aos "grandes constrangimentos à população" e aos "conflitos na receção de encomendas, cartas e até em caso de emergência".

"Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente de falta de humor ou comunismo exacerbado. Apelamos a todos os cidadãos do Seixal que no dia 26 de Setembro não fiquem em casa e nos ajudem a acabar com ciclo de 45 anos de comunismo que nos empobreceram e nos retiraram da rota do progresso", finalizam os sociais-democratas.

Embora seja assim que a publicação é agora apresentada, numa primeira divulgação o PSD/Seixal afirmava mesmo ter procedido a uma "ação concertada com vista a começar[mos] desde já a limpar o comunismo das ruas do Seixal". Uma edição posterior deu lugar a uma abordagem menos "infeliz", como defende Bruno Vasconcelos em conversa com o Polígrafo.

"Isto começou tudo numa proposta que foi apresentada em Assembleia Municipal em 2018 para alteração de ruas repetidas que existem no concelho [Seixal]. E foi dado o exemplo, na altura, de algumas ruas que existiam na freguesia de Amora que estavam repetidas. Aconteceu, já por diversas vezes e em situações de emergência, uma das ambulâncias não ter vindo para a rua correta. Isto não teve implicações mais graves porque felizmente a coisa não teve um desfecho mau, mas foi neste seguimento que surgiu a necessidade efetiva de mudarmos as ruas que são repetidas no concelho de Seixal", começa por explicar o democrata.

Na altura, o documento infra foi aprovado, afirma Vasconcelos, sendo que "o único partido que não votou a favor foi o PCP". Ainda assim, o candidato à autarquia diz ter acreditado que, sendo acordado por um órgão local, "eles fossem respeitar a decisão da recomendação. Não o fizeram e, agora, nestas eleições, surgiu-nos a ideia de: 'então vamos nós alterar'".

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Assim foi. Numa "alteração meramente simbólica", a concelhia procedeu à ação de campanha numa madrugada, mas a verdade é que não são só cinco as ruas em que há repetição de designações. "Há mais, efetivamente. Há mais ruas, mas nós não íamos alterar tudo porque isto é meramente simbólico. Era para criar aqui um facto político de que existem ruas repetidas e que nós temos que as alterar".

Simbólico, mas legal? "Nós colámos e depois retirámos. Aquilo não ficou lá, obviamente. Nós colámos para fazer aquele vídeo, não há aqui qualquer tipo de ilegalidade, aquilo é papel. Aliás, nas outras ruas onde nós andamos a tirar nós nem colocámos os papéis nas placas porque elas estavam muito em cima e nós não conseguíamos chegar lá", explica Vasconcelos.

Quanto à alteração do conteúdo do "post", o social-democrata admite não ter sido "feliz": "nós quisemos alertar para o facto de que existem ruas repetidas e de que isto é um problema para a proteção civil, já não falando de correspondências e tudo mais. E então, como é que nós fizemos? Fomos buscar algumas e não quisemos ir buscar só ruas que pudessem ferir o partido Comunista, portanto abrangemos outras ruas, nomeadamente a Rua Luís de Camões, para demonstrar que isto não era um ataque ao comunismo mas sim a um problema que efetivamente o partido comunista não quis resolver no Seixal, nomeadamente na freguesia de Amora".

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"No texto inicial que aparece não conseguimos mostrar aquilo que efetivamente queríamos passar e, não conseguindo, houve a edição. E creio que aí já é mais explícito qual era o real objetivo da ação de campanha", conclui o candidato.

Na sequência deste ato de campanha, a concelhia do PSD no Seixal procedeu à apresentação de uma queixa-crime contra o deputado do Partido Socialista José Magalhães e o vereador comunista em Odivelas Rui Francisco. Na origem da queixa estão comentários deixados no Facebook depois da divulgação do vídeo, contendo alegados "apelos à violência". Se o deputado socialista questionou a possibilidade de "uns cacetes terapêuticos" resolverem o problema, Rui Francisco optou por uma abordagem mais direta: “Começo a acreditar seriamente que devíamos ir atrás destes pulhas e dar-lhes no focinho. Eu estou pronto”.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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