O verniz estalou a partir do momento em que o deputado André Ventura, líder do partido Chega, propôs um plano de confinamento específico para a comunidade cigana, na medida em que "representam hoje um forte problema de segurança e saúde pública em algumas regiões do país". A iniciativa de Ventura foi anunciada mediante um comunicado emitido no dia 3 de maio, depois de terem sido noticiados alguns episódios de violência na Figueira da Foz, alegadamente provocados por pessoas de etnia cigana.

A reação com maior impacto partiu de Ricardo Quaresma, jogador de futebol que não hesitou em denunciar que "o populismo racista de André Ventura apenas serve para virar homens contra homens". Em contra-resposta, Ventura alegou que o futebolista não tem o direito de expressar opinião política por representar a seleção nacional de futebol.

Por sua vez, o primeiro-ministro António Costa aproveitou as afirmações do futebolista para dizer a Ventura, no debate quinzenal da última quinta-feira, dia 7 de maio, que “o senhor tem um problema que já foi de trivela. Levou baile do Quaresma”.

Menos de 24 horas depois foi publicada na página oficial do Chega no Twitter uma imagem com uma notícia de 2017 do jornal "Público", destacando-se no título: “PS discute se aceita ou rejeita 200 militantes de etnia cigana”. No topo da publicação aparece o seguinte comentário: “Imaginem se fosse o Chega...”

Confirma-se que o PS rejeitou 200 candidatos a militantes por serem ciganos?

Não, é falso. A notícia publicada em dezembro de 2017 pelo “Público”, a par de outros órgãos de comunicação social, conta que duas centenas de pessoas ligadas à Associação Social Recreativa e Cultural Cigana de Águeda, no distrito de Aveiro, decidiram inscrever-se no PS em outubro de 2017. Porém, a sede nacional do PS apontou falhas no processo e não deu uma resposta positiva aos candidatos a militantes.

Na altura, uma fonte socialista não identificada disse ao “Público” que estranhava os entraves postos pelo partido, “deixando nas entrelinhas o receio de que o PS ‘tudo fará’ para impedir que este grupo eleja delegados ao próximo Congresso, em meados de 2018”, e que havia quem concordasse e quem discordasse da inclusão da comunidade cigana no partido.

Na altura, uma fonte socialista não identificada disse ao “Público” que estranhava os entraves postos pelo partido, “deixando nas entrelinhas o receio de que o PS ‘tudo fará’ para impedir que este grupo eleja delegados ao próximo Congresso, em meados de 2018”, e que havia quem concordasse e quem discordasse da inclusão da comunidade cigana no partido.

Rafael Soares, o líder da referida associação de Águeda disse então que “não temos uma reposta oficial, mas soubemos que o PS está a colocar entraves nas inscrições. Não percebo porquê, somos cidadãos com os mesmos direitos que toda a gente”.

A atenção mediática em torno do caso acabou por esmorecer e, desde então, não há notícias que relatem o desfecho do processo.

O Polígrafo falou com o mesmo Rafael Soares que garante agora que nunca foram alvo de discriminação pelo PS e que “a maior parte daquelas 200 pessoas já são militantes” do partido.

Rafael Soares admite que o impasse com as candidaturas aconteceu por questões burocráticas e administrativas, nomeadamente “as moradas que não estavam corretas, alguns tinham mudado de cidade, mas não foi nada de especial”. Ou seja, a questão étnica nunca foi um problema.

Ao Polígrafo, fonte oficial do PS repete o argumento de Rafael Soares: “Os pedidos de inscrição estavam longe de cumprir os critérios para uma inscrição válida».

Ao Polígrafo, fonte oficial do PS repete o argumento de Rafael Soares: “Os pedidos de inscrição estavam longe de cumprir os critérios para uma inscrição válida».

O PS informa ainda que enviou os referidos pedidos para as federações de Aveiro e Coimbra para obtenção da informação em falta, e que “ambas as federações tentaram entrar em contactos com essas pessoas”. Porém, porém “todas as tentativas de contacto foram mal sucedidas. Face a isso, não foi dado provimento a nenhuma dessas fichas de inscrição” durante esse período.

Em conclusão, é falso que o PS tenha, em 2017, rejeitado a candidatura a militantes de um grupo de duzentas pessoas por serem de etnia cigana. É certo que, na altura, o partido não foi expedito a dar uma resposta aos potenciais militantes, mas o impasse deveu-se a imprecisões e erros nas candidaturas. Apesar de não ter sido noticiada, a situação resolveu-se e, hoje, grande parte dessas pessoas já integram o PS como militantes.

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Avaliação do Polígrafo:

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