"O dinheiro público continua a ser muito bem gasto. Parabéns aos eleitores do PS. Obrigado abstencionistas. Falta descobrir quando e onde foi criada a/as empresa/s e a quem pertence?", alerta-se num post a circular no Facebook, datado de 17 de fevereiro.

Na imagem da publicação, lê-se: "Plano de Recuperação e Resiliência dá 43 milhões de euros a projeto de insetos para comer."

O conteúdo em análise replica o título de uma notícia publicada no jornal "Correio da Manhã", a 15 de fevereiro. "O projeto InsectERA vai receber perto de 43 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para desenvolver, e comercializar, produtos à base de insetos, nomeadamente para a alimentação", informa-se no artigo.

O primeiro-ministro António Costa, presente na cerimónia da contratualização, afirmou que a execução das agendas mobilizadoras do PRR vai "alterar o perfil da economia" portuguesa. Na notícia destaca-se ainda que o "potencial do uso de insetos para a alimentação humana e animal foi uma das agendas mobilizadoras contratualizadas no âmbito do PRR" e que o projeto "deverá desenvolver uma centena de produtos e serviços e criar cerca de 150 postos de trabalho na Zona de Desenvolvimento Económico de Pernes, no âmbito de uma parceria com a Câmara de Santarém".

No "Mais Transparência", um portal público de informação sobre vários temas de gestão dos recursos públicos do Estado Português, verifica-se que o InsectERA tem um financiamento contratualizado de 29,1 milhões de euros, valor diferente do que é indicado na publicação e notícia citadas.

  • Alimentos à base de insetos "contêm quitinas" que "causam cancro e outras doenças"?

    Diversos produtos alimentares feitos à base de insetos podem ser adquiridos em supermercados. Nas redes sociais, alerta-se, porém, para a necessidade de "ler os rótulos" destes produtos alimentares, já que os insetos contêm quitina - substância que, alega-se, pode causar cancro, fungos e outras doenças no ser humano. Verdade ou falsidade?

Fonte oficial da Agenda Mobilizadora InsectERA esclarece que o montante de 43 milhões de euros "não é o montante de financiamento do PRR, mas sim o montante total de investimento da Agenda". E acrescenta: "Deve ser salientado que as empresas são responsáveis por mais de metade do investimento total, sendo o grosso desse investimento produtivo (21,5 milhões de euros), ou seja, investimento na criação de novas unidades bioindustriais, geradoras de novos produtos, processos e serviços, e criando novos postos de trabalho diretos."

A mesma fonte reforça que o financiamento do PRR é, assim, de 29 milhões de euros. Em causa está a criação de um novo setor produtivo português, que pretende dar "resposta a desafios e objetivos concretos através da utilização de insetos como ferramenta de transformação de subprodutos vegetais em matérias-primas de valor acrescentado".

Para tal, assinala a InsectERA, "serão geradas novas soluções para a indústria alimentar, cosmética, farmacêutica, dos fertilizantes orgânicos e dos alimentos compostos para animais, entre outras, utilizando conhecimentos científicos gerados em Portugal e dando resposta a necessidades concretas do país".

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